Crusoé nº 421: O voto de chuteiras
Seleção brasileira parte para a Copa do Mundo distante do governo e perto da oposição. E mais: As contradições de Flávio e O plano do Centrão
O Brasil debate apaixonadamente desde terça-feira, 19, se Carlo Ancelotti acertou ao convocar Neymar Jr. para a Copa do Mundo deste ano, com uma notável omissão: Lula, provavelmente o presidente mais boleiro da história deste país, não deu seu pitaco — e ele dá pitaco sobre tudo.
Em meio à entusiasmada celebração bolsonarista pela convocação do atacante do Santos, notório eleitor e apoiador de Jair Bolsonaro, o petista se limitou a publicar em suas redes sociais nesta semana um post para desejar "Toda a sorte para a Seleção!", numa mensagem obscurecida por uma série de propagandas dos programas sociais e promessas eleitoreiras de seu governo.
Há um claro desconforto dos governistas em relação à Seleção brasileira, que não é de hoje, mas que na Copa do Mundo deste ano ganha ares de ineditismo pela dinâmica entre lulistas e bolsonaristas.
O deputado federal governista André Janones (Avante-MG) deixou claro o desconforto, xingando Neymar de "vagabundo" e "sem-vergonha", mas afirmando que vai torcer e vibrar "por cada gol", porque quer "que ele arrebenta (sic) e que ele traz (sic) o hexa”.
A ciência política se acostumou a levar em conta o desempenho da Seleção brasileira como influência para o humor do eleitor, já que o torneio de seleções ocorre no mesmo ano das eleições majoritárias no país. Mas talvez o escrete nacional nunca tenha partido para a Copa tão distante do governo — e próximo da oposição que tenta vencê-lo nas urnas, diz Rodolfo Borges em "O voto de chuteiras", a reportagem de capa de Crusoé.
Outros destaques de Crusoé
Na matéria "As contradições de Flávio", Wilson Lima fala sobre a dificuldade do senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) de convencer até o próprio partido sobre suas relações com Daniel Vorcaro, ex-dono do Master.
Na reportagem "A luta pela sobrevivência dos nanicos", Wal Lima conta como os partidos nanicos transformaram a eleição presidencial de 2026 numa disputa pela própria sobrevivência. Sem musculatura política própria, siglas passaram a buscar nomes conhecidos fora da política.
Em "O plano do Centrão", Guilherme Resck revela que a federação União Progressista, formada por dois dos principais partidos do Centrão, o União Brasil e o Progressistas, deve ficar neutra em relação à disputa presidencial e focar no Congresso.
Colunistas
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Nesta edição, escrevem Wilson Pedroso (Rejeição silenciosa), Clarita Maia (Brasil: exportador e indefeso), Márcio Coimbra (Diplomacia de coerção), Maristela Basso (A universidade que trocou o ensino pela militância), Josias Teófilo (As duas memórias da Europa), Dennys Xavier (A alma é treinável), Izabela Patriota (O conto de fadas tradwife) e Rodolfo Borges (O evangelho segundo Neymar Jr.).
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