O Banco Central orientou os bancos a retirarem, de forma gradual, as cédulas da primeira família do real. Essas notas começaram a circular em 1994, no início do Plano Real.
A medida, no entanto, não significa o fim do dinheiro de papel no Brasil. As notas antigas continuam válidas e podem ser usadas normalmente no comércio.
Na prática, a mudança faz parte da renovação do meio circulante. Quando os bancos recebem essas cédulas em depósitos, pagamentos ou operações de troca, eles devem encaminhar o dinheiro ao Banco Central.
O que muda para o consumidor
A Instrução Normativa Banco Central do Brasil (BCB) nº 488, de 9 de julho de 2024, orientou as instituições financeiras a recolherem cédulas legítimas da primeira família do real.
A regra inclui as notas de R$ 2, R$ 5, R$ 10, R$ 20, R$ 50 e R$ 100. Além disso, também entra na orientação a cédula comemorativa de R$ 10 em polímero.
O consumidor, portanto, não precisa correr até uma agência para trocar o dinheiro. Se a nota estiver em boas condições, ela mantém o valor e pode circular normalmente.
Além disso, o Banco Central já realiza esse tipo de controle de forma contínua. O órgão recebe cédulas e moedas enviadas pelos bancos, avalia o estado de conservação e decide o que volta ao uso ou sai de circulação.
Dinheiro ainda faz parte da rotina
Apesar do avanço dos pagamentos digitais, o dinheiro físico ainda circula no país. O Sistema de Administração do Meio Circulante (Sismecir), do Banco Central, acompanha os dados de cédulas e moedas em circulação.
A pesquisa “O brasileiro e sua relação com o dinheiro”, divulgada pelo Banco Central em 2024, mostrou que o Pix superou o dinheiro em espécie como meio de pagamento mais usado no Brasil.
Ainda assim, o levantamento apontou que as notas seguem presentes em compras presenciais, pequenos pagamentos e situações com menor acesso digital.
Além disso, dados mais recentes do Banco Central mostram a força do Pix. No segundo semestre de 2025, ele respondeu por 54,7% das transações no país. Mesmo assim, esse crescimento não elimina o uso das cédulas.
Último caso de retirada
A retirada de dinheiro de circulação não é novidade no Brasil. Um caso conhecido ocorreu com a antiga moeda de R$ 1 da primeira família.
Segundo o Banco Central, essa moeda saiu de circulação em 23 de dezembro de 2003. Desde 23 de março de 2004, a troca só pode ocorrer em agências autorizadas.
No caso atual, porém, a orientação segue outro caminho. O Banco Central não retirou a validade imediata das notas antigas.
Assim, a substituição ocorre aos poucos, conforme o dinheiro passa pelos bancos. Com isso, as cédulas mais antigas tendem a aparecer menos no dia a dia, mas o dinheiro em papel continua válido no Brasil.




