Chefe de contraterrorismo dos EUA renuncia por se opor à guerra contra o Irã
Para Joe Kent, é evidente que o país entrou no conflito "devido à pressão de Israel"
O chefe do setor de contraterrorismo dos Estados Unidos, Joe Kent, apresentou nesta terça-feira, 17, sua carta de renúncia ao cargo.
Ele deixou o cargo por não poder, "em sã consciência", apoiar a guerra contra o Irã, dizendo ser evidente que o país entrou no conflito "devido à pressão de Israel e de seu poderoso lobby americano".
"Após muita reflexão, decidi renunciar ao meu cargo de diretor do Centro Nacional de Contraterrorismo, com efeito a partir de hoje.
Não posso, em sã consciência, apoiar a guerra em curso no Irã. O Irã não representava nenhuma ameaça iminente à nossa nação, e é evidente que iniciamos essa guerra devido à pressão de Israel e de seu poderoso lobby americano.
[...]No início deste governo, altos funcionários israelenses e membros influentes da mídia americana lançaram uma campanha de desinformação que minou completamente a sua plataforma 'América Primeiro' e semeou sentimentos pró-guerra para incentivar um conflito com o Irã. Essa câmara de eco foi usada para enganá-los, fazendo-os acreditar que o Irã representava uma ameaça iminente aos Estados Unidos e que, se atacássemos agora, haveria um caminho claro para uma vitória rápida. Isso foi uma mentira e é a mesma tática que os israelenses usaram para nos arrastar para a desastrosa guerra do Iraque, que custou à nossa nação a vida de milhares de nossos melhores homens e mulheres. Não podemos cometer esse erro novamente.
[...] Rezo para que vocês reflitam sobre o que estamos fazendo no Irã e para quem estamos fazendo isso. A hora de agir com ousadia é agora. Vocês podem reverter o curso e traçar um novo caminho para nossa nação, ou podem nos permitir que afundemos ainda mais rumo ao declínio e ao caos. As cartas estão em suas mãos", concluiu.
After much reflection, I have decided to resign from my position as Director of the National Counterterrorism Center, effective today.
I cannot in good conscience support the ongoing war in Iran. Iran posed no imminent threat to our nation, and it is clear that we started this… pic.twitter.com/prtu86DpEr
— Joe Kent (@joekent16jan19) March 17, 2026
A resposta da Casa Branca
A secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, rebateu no X o que, segundo ela, são "informações falsas" na carta, referindo-se à alegação de que o Irã não representava uma ameaça iminente aos EUA.
"Como o Presidente Trump afirmou de forma clara e explícita, ele tinha provas fortes e convincentes de que o Irã atacaria os Estados Unidos primeiro.
Essas evidências foram compiladas a partir de diversas fontes e fatores. O presidente Trump jamais tomaria a decisão de mobilizar recursos militares contra um adversário estrangeiro sem qualquer análise prévia.
O Irã é o principal patrocinador estatal do terrorismo no mundo.
O regime iraniano é maligno. Ele matou americanos com orgulho, travou guerra contra o nosso país e nos ameaçou abertamente até o lançamento da Operação Fúria Épica.
O Irã estava expandindo agressivamente seus mísseis balísticos de curto alcance para combiná-los com seus recursos navais e, assim, obter imunidade — o que significa que eles teriam um grau de capacidade que lhes permitiria manter a nós e ao resto do mundo como reféns.
O regime pretendia usar esses mísseis balísticos como escudo para continuar a alcançar seu objetivo final: armas nucleares.
O Presidente, por meio de seus principais negociadores, deu ao regime todas as oportunidades possíveis para abandonar esse curso inaceitável, renunciando permanentemente às suas ambições nucleares em troca do alívio das sanções, combustível nuclear gratuito e potenciais parcerias econômicas com o nosso país."
Leavitt também rebateu a acusação de que Trump foi pressionado por Israel a entrar na guerra contra o Irã.
Segundo ela, a alegação é "ridícula".
"O Presidente Trump tem sido notavelmente consistente e afirma há décadas que o Irã JAMAIS poderá possuir uma arma nuclear.
Como alguém que testemunha diariamente o processo de tomada de decisões do Presidente Trump, posso atestar que ele sempre busca fazer o que é melhor para os Estados Unidos da América — ponto final.
América em primeiro lugar", finalizou.
Leia em Crusoé: O labirinto de Trump no Irã
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (0)