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A lição do alemão: feio, não é bonito

Belém fede com o óleo diesel dos geradores da COP30 e com o esgoto a céu aberto. O resto é perfumaria

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Duda Teixeira
3 minutos de leitura 18.11.2025 15:19 comentários 5
A lição do alemão: feio, não é bonito
Merz em Belém. Inteligência artificial Grok
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"Feio, não é bonito / O morro existe / Mas pede pra se acabar", diz a letra da música Feio, não é bonito, de Carlos Lyra e Gianfrancesco Guarnieri.

A canção foi lançada no álbum "The Sound of Ipanema", de 1964. Foi cantada por Elis Regina, Nara Leão, Jair Rodrigues e Beth Carvalho.

Seu tema caberia perfeitamente na gritaria que ganhou o país após a frase do chanceler alemão Friedrich Merz.

Após passar apenas 20 horas em Belém para participar da COP30, Merz disse aos jornalistas de seu país que estava contente em ter deixado a paisagem de Belém para trás.

"Senhoras e senhores, nós vivemos em um dos países mais bonitos do mundo", disse Merz, referindo-se, por óbvio, à Alemanha.

"Todos ficaram contentes por termos retornado à Alemanha, na noite de sexta para sábado, especialmente daquele lugar onde estávamos."

A reação dos patriotas foi visceral.

É como se Merz tivesse cometido uma ofensa imperdoável contra todos os brasileiros.

O prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, foi um dos mais exaltados e chamou Merz de "filhote de Hitler vagabundo" e "nazista".

Mas o fato é que o morro existe, como diz a letra de Lyra e Guarnieri.

Como escreveu Rafael Moredo em Crusoé, 80% dos dejetos são despejados in natura ou correm a céu aberto.

Bonito não é. E não há perfumaria feita com a biodiversidade amazônica que dê conta.

Mais do que o ufanismo que defende o Brasil contra a menor insinuação, é preciso tomar vergonha e mudar a realidade.

A letra de Feio, não é bonito, aliás, parece ser uma resposta a esse tipo de ideologização da pobreza.

A primeira parte é vibrante, empolgada, entusiasmada: "Salve as belezas desse meu Brasil / Com seu passado e tradição / E salve o morro cheio de glória / Com as escolas que falam no samba e da sua história".

A segunda parte é uma constatação que não dá para viver de nacionalismo.

"Feio, não é bonito / O morro existe / Mas pede para se acabar", diz a letra.

Ainda que se possa tirar poesia da carestia, essa situação não deve ser eternizada para o deleite dos seus espectadores.

Não há felicidade em uma situação assim, ainda que os seus personagens reais possam ser resilientes e corajosos.

"Canta, mas canta triste / Porque tristeza / E só o que se tem pra contar / Chora, mas chora rindo / Porque é valente /E nunca se deixa quebrar / Ah! Ama, o morro ama / Um amor aflito, um amor bonito / Que pede outra história", diz a letra.

Belém, assim como o morro cantado por Lyra e Guarnieri, também pede outra história.

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Duda Teixeira

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Comentários (5)

ALDO FERREIRA DE MORAES ARAUJO

2025-11-22 10:03:19

Já foi dito: quem gosta de pobreza é intelectual (e de esquerda, complemento).


Antônio Caio Alcântara Botelho

2025-11-22 07:32:45

Parabéns pelo artigo,especialmente a comparação com a letra da música!


ISABELLE ALÉSSIO

2025-11-19 14:23:42

👏🏻🏆


MARCOS

2025-11-18 21:07:53

A VERDADE DÓI MAS LIBERTA.


Eliane ☆

2025-11-18 16:08:22

Ótimo, adorei o artigo. Pará, um estado que tem o saneamento básico pra lá de precário. E vêm os 'ofendedinhos' criticar a sinceridade do chanceler alemão. Pelo amor do bom-senso.


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Comentários (5)

ALDO FERREIRA DE MORAES ARAUJO

2025-11-22 10:03:19

Já foi dito: quem gosta de pobreza é intelectual (e de esquerda, complemento).


Antônio Caio Alcântara Botelho

2025-11-22 07:32:45

Parabéns pelo artigo,especialmente a comparação com a letra da música!


ISABELLE ALÉSSIO

2025-11-19 14:23:42

👏🏻🏆


MARCOS

2025-11-18 21:07:53

A VERDADE DÓI MAS LIBERTA.


Eliane ☆

2025-11-18 16:08:22

Ótimo, adorei o artigo. Pará, um estado que tem o saneamento básico pra lá de precário. E vêm os 'ofendedinhos' criticar a sinceridade do chanceler alemão. Pelo amor do bom-senso.



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