O Brasil tem 8,1 milhões de jovens entre 15 e 29 anos que não trabalham, não estudam no ensino regular e não fazem nenhum curso de qualificação profissional. O número representa 17,5% dos 46,6 milhões de pessoas nessa faixa etária, e é o que o IBGE chama de geração “nem-nem”.
Os dados são da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Educação, divulgada pelo instituto neste mês.
O contingente é maior do que toda a população de Santa Catarina, estimada em 7,6 milhões de habitantes pelo Censo de 2022. Ainda assim, o indicador melhorou: em 2019, a taxa era de 22,4%, quase 5 pontos percentuais acima do resultado mais recente.
O problema atinge de forma muito desigual homens e mulheres. Entre as jovens, 22,8% estão fora do mercado de trabalho e da escola.
Entre os homens, o índice é de 12,4%. A principal razão citada pelos jovens do sexo masculino que saíram da escola foi a necessidade de trabalhar, apontada por 53% dos entrevistados. Entre as mulheres, 23,1% disseram ter deixado os estudos por causa de gravidez.
A desigualdade dentro da desigualdade
Entre os jovens das famílias mais pobres do país, quase metade, 49,3%, não estuda nem trabalha. No grupo dos 10% mais ricos, esse número cai para 7,1%.
Ou seja, o fenômeno da geração nem-nem no Brasil não é apenas um problema de emprego ou educação: é também um problema de desigualdade econômica. Quanto mais pobre a família, menor a chance de o jovem ter acesso a escola ou trabalho ao mesmo tempo.
Como estão os que trabalham
A PNAD também traça o perfil do restante da faixa etária, a maior parcela, 40,8% dos jovens de 15 a 29 anos, trabalha mas não estuda nem se qualifica. Outros 25% se dedicam exclusivamente aos estudos ou à qualificação, e 16,6% conseguem conciliar trabalho e escola.
A taxa de desemprego entre os jovens que estão na força de trabalho é de 14,1%, mais que o dobro da média nacional. No Nordeste, esse número chegou a 19,7% entre jovens de 18 a 24 anos em dados recentes do IBGE.
Segundo a Agência Brasil, as ocupações que mais empregam jovens de 14 a 24 anos são:
- Balconistas e vendedores (1,24 milhões);
- Escriturários gerais (1,07 milhões);
- Auxiliar de construção de edifícios (394 mil);
- Recepcionistas (391 mil);
- Caixas e bilhetes (367 mil).




