A tensão entre a La Liga e a FIFA atingiu um ponto de ruptura nesta semana, após o presidente da entidade espanhola, Javier Tebas, classificar como “patética” uma nota defensiva publicada por Gianni Infantino sobre a organização da Copa do Mundo de 2026.
Na declaração, Tebas afirmou que o mandato do suíço “acabou” e que ele se tornou “o problema” do futebol mundial.
A carta que causou a confusão
A controvérsia começou após Infantino publicar, nas redes sociais, uma mensagem celebrando o torneio nos Estados Unidos como um “sucesso absoluto”, alegando “zero incidentes, zero hostilidade e zero violência”.
Na nota, o dirigente da FIFA sugeriu que as críticas recebidas eram fruto de “ódio” e recomendou que os detratores “meditassem ou orassem”.
No mesmo dia em que a carta foi publicada, Tebas deu uma resposta severa. “Por que precisamente agora? Há algo que explique um tom tão defensivo?”, questionou o espanhol, exigindo que a FIFA abandone a postura de vitimização e adote a transparência.
“A prestação de contas nunca é ódio; é uma obrigação”, declarou Tebas, referindo-se às múltiplas crises que abalam a gestão de Infantino durante a realização do Mundial.
Coleção de polêmicas
Ao exigir transparência, Tebas se refere a uma série de incidentes que marcaram a Copa de 2026 e que contradizem a narrativa de “zero problemas” apresentada por Infantino. O presidente da La Liga classificou o caso mais recente como apenas a “ponta do iceberg” de uma erosão na credibilidade da FIFA.
O ponto central das críticas é a interferência política no caso do atacante americano Folarin Balogun. O jogador recebeu um cartão vermelho, mas teve sua suspensão revogada pela FIFA após uma intervenção direta do presidente dos EUA, Donald Trump, que confirmou ter ligado para Infantino para pedir uma revisão.
A UEFA classificou a decisão como “sem precedentes e injustificável”, e democratas no Congresso dos EUA anunciaram investigações sobre possíveis trocas de favores entre a FIFA e a administração Trump.
Além do caso Balogun, outros episódios abalaram a imagem de harmonia do torneio, como:
- Restrições de visto a delegações completas e profissionais, como as barreiras que a seleção do Irã e torcedores de países como Haiti e Senegal enfrentaram para entrar nos EUA. Além disso, o árbitro somali Omar Abdulkadir Artan foi barrado na fronteira mesmo com visto diplomático válido.
- Diversos incidentes violentos registrados nos países-sede. Contrariando a fala de “zero violência” de Infantino, a própria FIFA identificou mais de 7 milhões de publicações de ódio nas redes sociais durante o evento. Além das brigas fora de campo, houve uma briga generalizada no campo após a final entre Espanha e Argentina.
Pediu pra sair
As críticas de Tebas a Infantino não são novas. Em entrevista ao jornal italiano La Gazzetta dello Sport, pouco após o encerramento do torneio, o presidente da La Liga acusou Infantino de estar “destruindo a indústria do futebol” e chegou até mesmo a dizer que o dirigente da FIFA estava com os “dias contados” na gestão.







