Os controladores da Paramount, a família Ellison, terão que arcar com até US$ 9,8 bilhões, cerca de R$ 53 bilhões, caso a fusão de US$ 111 bilhões com a Warner Bros. Discovery não seja concluída por barreiras regulatórias.
Do total, US$ 7 bilhões correspondem à multa rescisória devida aos acionistas da Warner, e outros US$ 2,8 bilhões serviriam para reembolsar a própria Paramount pelo valor já pago à Netflix para encerrar uma proposta concorrente pela mesma aquisição.
Segundo documentos revelados pela Bloomberg, Larry Ellison e um fundo de sua família se comprometeram a cobrir pessoalmente esse valor, por meio da compra de novas ações da Paramount, caso o negócio desmorone.
A garantia ganhou relevância depois que a empresa concordou, na última sexta-feira (24), em suspender a conclusão da fusão até junho de 2027, ou até cinco dias após decisão judicial sobre a ação movida por 12 estados americanos contra a operação.
Atraso já custa milhões por dia à empresa
Além da multa rescisória, o acordo prevê uma taxa diária a partir de 1º de outubro: caso a fusão ainda não esteja concluída até lá, a Paramount pagará cerca de US$ 7 milhões por dia aos acionistas da Warner, valor que pode somar até US$ 1,7 bilhão adicional se o impasse se estender até o novo prazo de junho de 2027.
A ação movida pelos 12 estados, liderados pela Califórnia, argumenta que a fusão concentraria poder excessivo nos mercados de distribuição de cinema e TV paga, com as duas empresas somando cerca de 27% da distribuição de filmes de grande circulação nos Estados Unidos.
Esse tipo de bloqueio regulatório por concentração de mercado também já aconteceu no Brasil: em 2017, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) vetou a fusão entre Kroton e Estácio, então as duas maiores empresas de ensino superior privado do país, por entender que a operação concentraria poder demais no setor educacional, mesmo depois de meses de negociação e tentativas de acordo entre as companhias.







