A Polícia Civil de São Paulo (PC/SP) recebeu autorização judicial para incorporar provisoriamente um helicóptero Airbus EC130 T2, avaliado em R$ 25 milhões, ao seu efetivo operacional. A aeronave, apreendida durante a Operação Falsa Las Vegas, será utilizada para segurança pública e transporte de órgãos após passar por inspeções técnicas.
A decisão, fundamentada no programa “Recupera-SP“, tem o objetivo de evitar a desvalorização de bens de alto valor apreendidos de organizações criminosas enquanto os processos judiciais tramitam.
O helicóptero, fabricado em 2022 e com capacidade para sete ocupantes, estava sob posse de um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC), liderado pelo operador financeiro Eduardo Lopes.
No entanto, antes de decolar em missões oficiais, a aeronave será submetida a revisões mecânicas e deverá obter todas as certificações de aeronavegabilidade da Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC).
A medida judicial
A autorização foi concedida pelo Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) a pedido conjunto da Polícia Civil e do Ministério Público. O uso do helicóptero é provisório e condicionado ao andamento do processo criminal.
Caso haja condenação definitiva dos réus com pena de perdimento de bens, a aeronave passará a integrar o patrimônio do Estado de forma permanente. Segundo o delegado-geral da Polícia Civil, Artur Dian, a medida transforma patrimônio ilícito em “ferramenta de proteção à sociedade”.
“Nossa missão é retirar esse patrimônio das mãos dos criminosos, obtido de forma ilícita, e transformá-lo em instrumento de proteção da sociedade”, declarou.
Recupera-SP
A decisão judicial foi fundamentada no programa Recupera-SP, criado para gerir ativos vinculados ao crime organizado. O coordenador do programa, delegado Lawrence Tanikawa, explicou que, sem essa autorização, bens de alto valor permaneceriam por anos parados, perdendo valor de mercado por falta de manutenção adequada.
Operação Falsa Las Vegas
Deflagrada em 28 de maio de 2026, a Operação Falsa Las Vegas foi conduzida pela 3ª Delegacia de Fraudes Financeiras e Econômicas do Departamento Estadual de Investigações Criminais (DEIC), em conjunto com o Grupo de Atuação Especial de Persecução Patrimonial (GAEPP) do Ministério Público.
A operação mirou um esquema bilionário de lavagem de dinheiro e apostas ilegais (bets) com vínculos comprovados ao PCC. As investigações revelaram que a organização utilizava plataformas digitais de apostas, fintechs e contas de “laranjas” para ocultar dinheiro e dificultar o rastreamento financeiro.







