O rio Guaíba pode chegar à cota de alerta de 2,50 metros no Cais Mauá entre esta sexta-feira (24) e o sábado (25), segundo simulações hidrológicas do Serviço Geológico do Brasil (SGB), do Instituto de Pesquisas Hidráulicas (IPH/Ufrgs) e da Catavento Meteorologia.
Diante do risco, a Prefeitura de Porto Alegre já notificou empresas e órgãos da área portuária sobre a possibilidade de fechamento preventivo das comportas do sistema de proteção contra cheias.
A decisão final sobre o fechamento, porém, ainda depende de uma nova atualização das projeções, prevista para a manhã desta sexta-feira. Segundo o prefeito Sebastião Melo, a mobilização das equipes é permanente diante das oscilações constantes dos boletins hidrológicos.
Grande volume de chuva
A possível elevação do Guaíba é consequência do grande volume de chuva registrado nos rios afluentes da bacia, especialmente nos rios Taquari e Caí.
Ainda assim, segundo o professor do IPH/Ufrgs Fernando Dornelles, o nível não deve superar a faixa entre 2,50 e 2,60 metros, já que as cheias desses afluentes não devem ocorrer de forma simultânea. Mesmo assim, esse patamar já é suficiente para afetar diretamente a região das ilhas de Porto Alegre.
As medidas em vigor
Enquanto aguarda a decisão sobre as comportas, o Departamento Municipal de Água e Esgotos (Dmae) já bloqueou, na madrugada de quinta-feira (23), o canal que liga a rede pluvial da rua Jacipuia, no bairro Guarujá, ao próprio Guaíba.
Com a saída fechada, uma bomba móvel passou a escoar a água da chuva acumulada nas ruas, evitando que a elevação do rio provoque o retorno da água pela drenagem.
Segundo o diretor de Proteção Contra Cheias e Drenagem Urbana do Dmae, Alex Zanoteli, essa interrupção temporária do escoamento por gravidade é justamente o que impede o efeito reverso durante o período de alerta.
Na região central, o uso das quadras esportivas da Orla do Guaíba fica suspenso a partir desta sexta-feira até o dia 30 de julho, como medida preventiva.
A Defesa Civil Municipal, por sua vez, intensificou o contato com moradores das ilhas e do Extremo Sul para orientar sobre os cuidados necessários e já preparou dois abrigos de retaguarda, um no bairro Petrópolis e outro na Restinga, para acolher famílias caso seja necessário.
O sistema de proteção segue em obras
Parte da estrutura que protege a capital gaúcha contra cheias já recebeu melhorias recentes, como a instalação de tampas herméticas nos condutos forçados Álvaro Chaves, Polônia, Miguel Couto e Areia, além da conclusão da modernização das 14 comportas do sistema.
Ainda estão em andamento as obras nos pôlderes 7 e 8, na Zona Norte, que já ultrapassam 30% de execução e vão criar novas barreiras contra o avanço das águas do rio Gravataí.








