A plataforma de apostas Blaze emitiu uma nota oficial nesta semana negando que pague comissões a influenciadores digitais baseadas nas perdas financeiras dos usuários. A manifestação ocorre em meio a uma batalha judicial contra o Ministério Público do Distrito Federal (MPDF).
A nota também vem após o Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT) impor restrições à publicidade veiculada pela influenciadora Virginia Fonseca. Em resposta às acusações de que utilizaria o modelo de partilha de receita atrelado ao prejuízo do apostador, a Foggo Entertainment Ltda, operadora da Blaze no Brasil, afirmou que suas parcerias são “exclusivamente institucionais”.
A empresa sustenta que atua em estrita conformidade com a legislação e que os contratos não possuem cláusulas que vinculem a remuneração dos parceiros aos resultados negativos dos jogadores.
Decisão judicial
A manifestação da empresa foi motivada por uma decisão do desembargador Renato Rodovalho Scussel, proferida na terça-feira (21), que atendeu parcialmente a um recurso do MPDFT. O tribunal determinou que Virginia Fonseca e a Blaze se abstenham de veicular publicidade que prometa lucros fixos, certos ou garantidos, ou que sugira a ausência de riscos nas apostas.
A ordem judicial estabelece que todo conteúdo promocional deve ser identificado de maneira “clara, ostensiva e inequívoca” como publicidade, mesmo quando inserido em contextos de rotina pessoal, viagens ou família da influenciadora.
O tribunal concedeu um prazo de 48 horas para a remoção de postagens anteriores que não cumpram esses requisitos, sob pena de multa de R$ 100 mil por infração, limitada inicialmente a R$ 2 milhões.
Milhões em publicidade
Apesar da negativa da Blaze quanto ao modelo de comissão por perda, documentos contábeis juntados ao processo revelam o investimento milionário da empresa no marketing. Entre janeiro e novembro de 2025, a plataforma destinou R$ 330 milhões para publicidade externa.
O balancete da empresa aponta obrigações contratuais de R$ 6,4 milhões com a VF Digital, empresa de Virginia Fonseca sediada em Goiânia. Deste total, R$ 2,77 milhões já haviam sido pagos até o período do relatório, restando R$ 3,6 milhões pendentes.
O risco das propagandas
O MPDFT argumenta que a mistura entre conteúdo pessoal e publicidade, somada à falta de transparência sobre os riscos, configura uma “engenharia predatória” que explora a vulnerabilidade cognitiva dos consumidores.
A promotoria cita ainda investigações da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) das Bets que indicariam a prática de comissões de até 30% sobre as perdas, alegação que a defesa da influenciadora e da Blaze contesta.








