Daniel Perez, indicado pelo presidente Donald Trump para chefiar a embaixada dos EUA em Brasília, prestou juramento no dia 25 de agosto e iniciou os procedimentos preparatórios exigidos pela diplomacia americana.
A viagem para assumir o cargo está suspensa até que o governo brasileiro conceda a aprovação formal, chamada de agrément.
O republicano deixou seus postos na política estadual, onde foi deputado estadual e presidente da Câmara da Flórida, para aceitar a nomeação de Trump.
O Departamento de Estado dos EUA informou que Perez participará de reuniões estratégicas e receberá briefings sobre a política brasileira, etapas obrigatórias antes do desembarque de embaixadores recém-nomeados em uma embaixada no exterior.
Daniel Perez e o juramento como embaixador designado no Brasil
O juramento ocorreu na Christopher Columbus High School, escola de ensino médio de Miami onde Perez estudou, segundo a instituição.
A cerimônia ocorreu perante a procuradora Katherine Fernandez Rundle, enquanto o reverendo Alejandro Rodriguez Artola conduziu uma oração na presença de familiares, amigos e membros da comunidade escolar.
Após o juramento, Perez passa a ser referido oficialmente como “Embaixador designado” (Ambassador-Designate).
O Departamento de Estado iniciou, em 25 de agosto, os trâmites processuais para que ele prossiga com as consultas de preparação e credenciamento.
Um funcionário sênior orientará o futuro embaixador com informações específicas sobre a missão diplomática e o contexto político brasileiro.
Apesar dos avanços em Washington, a aprovação formal do Brasil é o que determina se Perez realmente poderá assumir a embaixada.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou publicamente que não pretende conceder o agrément antes das eleições de 2026.
Um porta-voz do Departamento de Estado declarou que a administração Trump aguarda “com expectativa” que Perez represente os interesses americanos em Brasília “o mais breve possível”, uma vez que o processo de agrément seja concluído pelo Brasil.
Até lá, a viagem segue suspensa e o diplomata permanece oficialmente como embaixador designado, não como embaixador em exercício.
Tensões bilaterais além da nomeação
A demora do Brasil em conceder o agrément reflete tensões mais amplas entre os dois países.
Os EUA revogaram o visto da embaixadora brasileira Maria Luiza Ribeiro Viotti em Washington, afirmando ser uma resposta à demora na aprovação de Perez.
Dez dias antes, o Itamaraty havia negado vistos a dois diplomatas do Departamento de Estado, que foram apontados pelo jornal The Washington Post como integrantes de uma estratégia para questionar o sistema eleitoral brasileiro, alegação que os EUA negam.
Esses movimentos expõem a tensão entre os dois países e mantêm o processo em compasso de espera até que o Brasil se manifeste sobre o agrément.








