As emissoras de TV aberta no Brasil precisam se unir para continuar rentáveis no mercado de direitos esportivos; Globo, SBT, Record e Band enfrentam uma conta que não fecha mais. Os detentores dos direitos cobram valores fora da realidade do mercado publicitário nacional, enquanto plataformas de streaming e fundos internacionais operam com orçamentos em dólar e absorvem esses custos sem comprometer o caixa.
Valores em dólar disparam em competições europeias e sul-americanas
Ociclo atual da Uefa Champions League, válido até 2027, é um dos exemplos: a Warner Bros. Discovery desembolsou cerca de US$ 100 milhões por temporada, montante próximo a meio bilhão de reais no câmbio da época, para sublicenciar ao SBT apenas um jogo por rodada da competição europeia.
Nas licitações da Conmebol para Libertadores e Sul-Americana, com contratos até 2030, a projeção de arrecadação já passa de US$ 2 bilhões, impulsionada por ofertas pesadas de Disney e Paramount voltadas à TV fechada e ao streaming.
Para a próxima Copa do Mundo, o mercado projeta que a Fifa quase dobre os preços dos pacotes de transmissão. A entidade abriu novas janelas comerciais ao oficializar as paradas técnicas de hidratação nas partidas, que garantem blocos extras de publicidade na TV e encarecem ainda mais o produto. A CBF, por sua vez, pretende arrecadar cerca de R$ 1 bilhão com a Copa do Brasil no ciclo entre 2027 e 2030, segundo apuração do próprio NaTelinha.
Colunista defende consórcios entre emissoras rivais
Essa escalada de valores esgotou o fôlego financeiro das redes brasileiras, argumenta o texto: exibir futebol deixou de dar alto lucro, e as cotas comerciais de patrocínio já bateram no teto do mercado interno, sem cobrir o custo das propostas. Hoje, a principal rival da Globo no esporte é a CazéTV, bancada por capital estrangeiro.
Sem uma reação conjunta, argumenta o colunista, as redes abertas vão perder o futebol para outras plataformas nos próximos anos. Entre as saídas discutidas está a criação de consórcios de transmissão e acordos diretos de sublicenciamento, nos quais duas ou mais emissoras comprariam o pacote fechado, dividiriam a grade de jogos entre si e rateariam os custos técnicos de captação e sinal, mantendo equipes próprias de reportagem e narração.
O texto também sugere que o debate deveria incluir medidas de proteção regulatória, como obrigar plataformas estrangeiras a ter sócios brasileiros para disputar direitos de transmissão no país.








