Nas redes sociais, uma moradora de Sorriso costuma publicar registros de viagens e do seu cotidiano para os seguidores.
Com um público de mais de 115 mil pessoas, ela foi identificada pela Polícia Civil de Mato Grosso como a principal figura de um esquema ligado a apostas clandestinas.
Segundo a polícia, ela integra um grupo de dez investigados responsável pela movimentação de mais de R$ 28 milhões em plataformas de apostas sem autorização para funcionar.
Influenciadora é acusada de movimentar quase R$ 30 milhões com apostas em sites irregulares
A ação recebeu o nome de Operação Engodo Digital e teve mandados cumpridos ao mesmo tempo em Mato Grosso e em São Paulo na última terça-feira, 18 de agosto.
A investigada foi capa de revista masculina em 2024, o que ampliou a visibilidade do caso nas redes sociais.
Entre as medidas cumpridas contra o grupo estão a apreensão de passaportes, o bloqueio de contas bancárias e a quebra do sigilo telemático.
No total, a Justiça expediu 56 ordens, das quais 14 eram mandados de busca e apreensão.
De acordo com apuração da Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (Draco) de Sinop, a investigada mantinha duas contas nas redes sociais dedicadas à divulgação de plataformas de apostas não autorizadas.
Um grupo de WhatsApp mantido por ela e por outra investigada distribuía links e orientações sobre apostas de quota fixa.
Entre 2023 e 2025, valores acima de R$ 28 milhões teriam passado pelas contas ligadas ao grupo sem qualquer declaração.
A origem desse dinheiro estaria na exploração não autorizada de jogos de azar pela internet, segundo a apuração policial.
Empresas usadas para movimentar valores
Contas de empresas dos setores de apostas e pagamentos recebiam o dinheiro antes de repassá-lo a familiares e colaboradores da influenciadora.
Entre as empresas mencionadas no inquérito estão a Cash Pay Meios de Pagamento, a All Bet Entretenimento, a Bytech e a HKP Pay Pagamentos.
Oito empresas ao todo entraram na mira dos investigadores, incluindo negócios do ramo de beleza.
A polícia suspeita que algumas empresas foram criadas ou utilizadas para dificultar a identificação da origem dos valores movimentados pelo grupo.
Organização criminosa, exploração de jogos de azar e captação ilegal de apostas figuram entre os crimes sob apuração.
Lavagem de dinheiro e sonegação fiscal completam a lista de suspeitas que recaem sobre o grupo.
O andamento do inquérito e uma futura manifestação do Ministério Público devem confirmar ou não essas suspeitas.
Dois dos alvos localizados em São Paulo também têm possível ligação com uma investigação da Polícia Federal sobre tráfico de drogas.
Essa possível ligação pode ampliar significativamente o alcance do caso por meio da divulgação em meios de comunicação e redes sociais.
O Núcleo de Justiça 4.0 do Juízo das Garantias — Polo Sinop autorizou todas as medidas cumpridas pela Polícia Civil.
A quebra de sigilo telemático e o sequestro de bens seguem em análise conforme os próximos passos do inquérito.








