O presidente-executivo do Grupo Casas Bahia, Renato Franklin, afirmou que 2027 deve ser um ano ainda mais difícil para a varejista do que 2026. A declaração veio dias depois de a empresa fechar 298 lojas, demitir cerca de 2 mil funcionários e entrar com um novo pedido de recuperação judicial.
“Não trabalhamos com melhora no cenário macro”, diz executivo
“Não trabalhamos com melhora no cenário macro. Consideramos que 2027 será pior que 2026”, disse Franklin, segundo informações repassadas ao g1.
Para o executivo, o próximo ano deve trazer uma deterioração ainda maior do crédito, o que deve levar a companhia a dificultar mais o financiamento oferecido aos consumidores.
O fechamento de 298 unidades, equivalente a cerca de 28,7% da rede que a empresa mantinha em março, ocorreu de forma concentrada, em uma única onda, na sexta-feira (14), diferentemente de ajustes anteriores, feitos de maneira mais gradual.
Segundo Franklin, a decisão já considerou uma possível piora do mercado em 2027 e teve como objetivo evitar novas rodadas de fechamento que gerassem mais insegurança entre os funcionários. O executivo afirmou que a medida eliminou “todas as lojas que estavam na UTI”, em referência às unidades com pior desempenho financeiro.
Empresa pede recuperação judicial pela segunda vez em dois anos
No domingo (16), a Casas Bahia entrou com um novo pedido de recuperação judicial, apenas dois anos depois de concluir uma recuperação extrajudicial que havia reestruturado R$ 4,8 bilhões em dívidas.
O novo processo chega acompanhado de R$ 17,3 bilhões em dívidas, patrimônio líquido negativo e um prejuízo bilionário no balanço mais recente: R$ 10,1 bilhões apenas no segundo trimestre de 2026, ante R$ 555 milhões no mesmo período do ano anterior.
Como parte da reorganização, a companhia também deve priorizar as margens de lucro nos canais on-line, reduzindo o volume de vendas não rentáveis feitas por meio de marketplaces. As ações da varejista (BHIA3) acumulam queda de cerca de 80% neste ano, com valor de mercado atual em torno de R$ 660 milhões.








