A Casas Bahia contratou escolta de segurança privada para parte de seus executivos depois de uma ameaça feita por um gestor de fundos credor da empresa. A proteção cobre equipes das áreas financeira e jurídica, além da presidência da companhia, segundo apuração de Adriana Mattos, do Valor Econômico.
R$ 700 milhões em operações com a empresa
O episódio partiu de um único gestor, à frente de um fundo que detém cerca de R$ 700 milhões em operações com a varejista. Ele pressionou a administração da Casas Bahia para excluir o fundo da lista de credores sujeitos à recuperação judicial e disse à diretoria que, se a situação já era ruim para o fundo, ficaria “muito pior” para a empresa.
Executivos da companhia classificaram o tom da ameaça como desproporcional, mais ainda porque as negociações com bancos e fornecedores em torno do plano de reestruturação vinham avançando até então.
A disputa tem origem jurídica. Parte dos fundos ligados a esse gestor aparece na lista de credores encaminhada à 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo, responsável pelo processo.
A gestora argumenta que seus créditos são extraconcursais, ou seja, não sujeitos às regras da recuperação. A decisão final cabe à juíza do caso e depende da natureza jurídica de cada operação, não do tipo de fundo envolvido.
Empresa acumula R$ 17,3 bilhões em dívidas no processo
A Casas Bahia protocolou o pedido de recuperação judicial em 16 de agosto, com R$ 17,3 bilhões em dívidas sujeitas ao processo. Fora dele, a companhia ainda soma R$ 10,99 bilhões em dívidas extraconcursais, com credores como Banco Digio, Banco do Brasil, Zurich Seguros, Samsung e LG.
Nas últimas semanas, a varejista também fechou 298 lojas e demitiu cerca de 3 mil funcionários, parte de um esforço para reduzir despesas em meio à crise financeira. Procurada, a empresa não se manifestou sobre o episódio de intimidação.
A companhia recorreu a fundos de investimento em direitos creditórios, os FIDCs, desde o fim de 2023, quando as linhas de crédito tradicionais com os bancos parceiros ficaram mais apertadas pelos juros altos e pelos efeitos da recuperação extrajudicial concluída naquele mesmo ano. Um desses fundos, voltado ao crediário, passou a integrar as operações da varejista em fevereiro de 2025.






