O custo de viajar de avião no Brasil atingiu um novo patamar. Segundo dados divulgados pela Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC), a tarifa média das passagens domésticas subiu 11,2% em 12 meses, chegando a R$ 632,53 em maio de 2026. Em maio do ano passado, o valor médio era de R$ 568,96.
O principal “vilão” por trás desse aumento é o combustível. O preço do querosene de aviação (QAV) disparou 68,5% na comparação anual, atingindo R$ 6,46 por litro. Esse insumo representa cerca de 30% a 45% dos custos operacionais das companhias aéreas, pressionando diretamente o preço final ao consumidor.
Cenário do mercado
Apesar da alta na média, o mercado apresenta uma divisão de preços. A ANAC informa que 49,1% das passagens vendidas em maio custaram menos de R$ 500. Deste total, cerca de 20% dos bilhetes foram comercializados por até R$ 300. Por outro lado, 5,4% das passagens superaram a marca de R$ 1.500, valor próximo ao salário mínimo vigente.
O setor também registrou crescimento na demanda, com 8,3 milhões de passageiros embarcando em voos domésticos em maio, um aumento de 2,5% em relação ao mesmo período de 2025. As companhias Latam e Gol consolidaram sua liderança, detendo juntas 72% do mercado, enquanto a Azul viu sua participação reduzir.
Medidas do Governo
Para conter a escalada de preços, o Governo Federal adotou um pacote de medidas emergenciais em abril, incluindo a suspensão dos impostos do Programa de Integração Social (PIS) e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) sobre o QAV e linhas de crédito via Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
O presidente da ANAC estimou que essas ações impediram que o aumento das passagens atingisse 30%, limitando-o à faixa atual de 11-12%.
Em um movimento recente para aliviar o setor, a Petrobras anunciou, no início de junho, uma redução de 14,2% no preço do QAV para as distribuidoras. A medida, que reflete a queda nas cotações internacionais do petróleo e a diminuição das tensões no Oriente Médio, visa estabilizar os custos das companhias aéreas nos próximos meses.
Especialistas projetam que a combinação da queda no combustível e da isenção tributária possa reduzir as tarifas em até 6% no segundo semestre.




