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Comércio digital tem ajudado no crescimento do contrabando em território brasileiro

Por Jeferson da Rosa
25/08/2026
Em Geral
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Comércio digital ajudado crescimento contrabando

Comércio digital tem ajudado no crescimento do contrabando em território brasileiro - Pixabay

Medicamentos ilegais, produtos falsificados e itens sem regulação sanitária seguem rotas sofisticadas pelo Brasil. 

As mercadorias saem das fronteiras e chegam aos compradores por canais que combinam comércio tradicional e plataformas de internet.

As canetas emagrecedoras são um exemplo dessa dinâmica: encontradas com facilidade em farmácias de cidades fronteiriças, viraram um dos focos prioritários da fiscalização antricontrabando.

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Comércio digital tem ajudado no crescimento do contrabando em território brasileiro

A multiplicação dos canais de venda dificulta a fiscalização dessas redes.

Portos e aeroportos contam com troca de dados entre países e ações de inteligência para reforçar o controle, mas esse tipo de estrutura não existe quando a venda migra para o ambiente digital, o que torna o rastreamento bem mais complicado.

O principal atrativo desses produtos é o preço baixo, independentemente de o comprador saber ou não que a mercadoria é ilegal.

No começo da cadeia, há duas portas de entrada principais: carregamentos asiáticos que chegam por navio com declarações falsificadas e mercadorias trazidas por terra de países vizinhos, como Paraguai, Bolívia, Argentina e Uruguai.

Centros comerciais populares de São Paulo, como Brás, Bom Retiro e os arredores da Rua 25 de Março, funcionam como centros de distribuição no atacado.

Outra rota que tem chamado atenção passa pelo Suriname. 

Por transporte fluvial, os produtos chegam ao Pará e são distribuídos para o Norte e o Nordeste, mas também abastecem o país inteiro.

O Brasil também tem centros consolidados de fabricação de falsificações: Nova Serrana (MG) produz calçados piratas, e Arapongas (PR), bonés falsos. 

Onde há fabricantes legais, os falsificadores aproveitam o conhecimento técnico, as máquinas e a mão de obra especializada. 

Em alguns desses centros comerciais, boa parte das galerias tem no comércio ilegal, seja pirataria ou contrabando, a sua principal fonte de renda.

Internet amplia o alcance e desafia a fiscalização

As plataformas de comércio eletrônico permitiram que qualquer pessoa vendesse esses itens diretamente ao consumidor. 

Muitas vezes, o comprador não sabe que está adquirindo um produto contrabandeado ou não regulamentado.

Agentes da Receita Federal e da Polícia Rodoviária Federal interceptam cargas nas estradas antes de elas chegarem aos centros de distribuição. 

Depois que a mercadoria se fragmenta em milhares de pequenos lotes vendidos online, o rastreamento fica mais difícil.

Nas fronteiras secas, o Brasil tem mais de 7.000 quilômetros delas, a falta de pessoal na fiscalização reduz a capacidade de ação. 

As mesmas rotas também servem para o tráfico de drogas e de armas.

Uma decisão do Superior Tribunal de Justiça responsabilizou as galerias pelos estabelecimentos instalados nelas que vendem produtos piratas e contrabandeados. 

A decisão oferece um instrumento legal para pressioná-las a controlar melhor as vendas. 

Ainda assim, a velocidade com que novos vendedores surgem nos marketplaces supera a capacidade de investigação e remoção.

Entre os exemplos extremos dessa operação estão milícias do Rio de Janeiro que falsificam marcas de cigarros paraguaios e impõem aos donos de estabelecimentos sob seu controle a venda exclusiva desses produtos. 

Com isso, multiplicam os lucros obtidos com a venda de falsificados.

Dúvidas, críticas ou sugestões? Fale com o nosso time editorial.
Jeferson da Rosa

Jeferson da Rosa

Jornalista apaixonado pela profissão

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