Pela primeira vez na história, o Brasil atingirá a marca de R$ 2 trilhões em arrecadação de impostos, taxas e contribuições ainda no primeiro semestre. De acordo com as projeções do Impostômetro, painel eletrônico mantido pela Associação Comercial de São Paulo (ACSP), o valor será alcançado amanhã, sábado (27).
O marco foi atingido seis dias antes do registrado em 2025, quando a cifra foi alcançada em 3 de julho. A aceleração é ainda mais expressiva quando comparada a anos anteriores, pois, em 2024, o patamar foi batido apenas em 24 de julho e, em 2015, apenas em 9 de dezembro.
O que fez o Brasil chegar nesse patamar tão rápido?
Segundo economistas da ACSP, o resultado é fruto de uma combinação de fatores macroeconômicos e mudanças legislativas. O aquecimento da atividade econômica ampliou a base de arrecadação, enquanto a inflação elevou os preços de bens e serviços, impactando diretamente a cobrança de tributos incidentes sobre valores nominais.
Além dos indicadores econômicos, novas medidas fiscais implementadas em 2026 contribuíram para o volume recorde. Destes, os economistas destacam a tributação de fundos exclusivos e offshores, a reoneração da folha de pagamentos, o aumento do IOF sobre juros e câmbio, a revisão de incentivos ao setor de eventos e a nova cobrança sobre apostas esportivas.
A partir deste ano, também entrou em vigor a tributação de dividendos superiores a R$ 50 mil mensais para pessoas físicas, sujeita a uma alíquota de 10% de Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), conforme a Lei nº 15.270/2025.
Reforma Tributária
O ano de 2026 também marca o início da fase de transição da Reforma Tributária, com a implementação experimental do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) e da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS).
Especialistas ressaltam que, neste primeiro ano, a cobrança tem caráter predominantemente operacional e de adaptação sistêmica. Os valores recolhidos a título de IBS e CBS podem ser compensados integralmente com o Programa de Integração Social (PIS) e Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS).




