A FIFA confirmou nesta semana a demissão de Kevin Lamour, seu diretor de operações (COO), encerrando uma trajetória de menos de dois anos na entidade máxima do futebol. A decisão ocorre apenas 17 dias após Lamour vir a público para criticar a estratégia do presidente Gianni Infantino de buscar investimento privado para as competições da organização.
A critica de Lamour
A ruptura foi desencadeada em 31 de julho, quando Lamour concedeu uma entrevista à Associated Press na qual classificou o novo plano de negócios da FIFA como “o projeto de uma só pessoa”.
O executivo francês acusou a cúpula da entidade de ter “enganado os funcionários” sobre as reais implicações da venda de direitos comerciais, alegando falta de transparência no processo decisório.
Mesmo após ter sido desligado do cargo, em sua declaração de despedida aos colegas, Lamour manteve o tom de desafio, reforçando que a missão da entidade deve ser “servir ao futebol, não a interesses pessoais”, em alusão à gestão de Infantino.
“Nunca esqueçam que, na vida, não se trata de fazer o que é fácil, mas de fazer o que é certo”, declarou.
O plano de Infantino
O estopim do conflito foi o anúncio do projeto FIFA Forward Enterprise (FFE), uma iniciativa que visa criar uma subsidiária comercial avaliada em US$ 20 bilhões. O plano prevê a venda de uma participação minoritária de até 20% para investidores privados, o que geraria um caixa imediato de aproximadamente US$ 4,2 bilhões.
Segundo a proposta, os recursos seriam utilizados para aumentar o financiamento às 211 associações-membro, elevando o aporte anual de US$ 8 milhões para US$ 20 milhões no ciclo 2027-2030.
No entanto, a estrutura do acordo levantou questões sobre a soberania da entidade e a influência de capital especulativo no esporte, o que foi visto como uma ameaça ao futebol internacional por algumas autoridades da área.
A controvérsia foi agravada por relatórios que identificaram a firma Thrive Eternal, liderada por Joshua Kushner, como uma das principais interessadas no investimento. Kushner é irmão de Jared Kushner, genro e ex-assessor do presidente dos EUA, Donald Trump.
Essa conexão familiar gerou acusações de conflito de interesses e transformou o negócio em um tema politicamente sensível nos Estados Unidos e na Europa.
Federações se opuseram
A UEFA, federação do futebol europeu, liderou a revolta contra o plano da FFE e declarou publicamente ter “perdido a confiança” no presidente da FIFA, chegando a prometer o boicote das ligas europeias às competições da entidade máxima do futebol.
UEFA também recebeu apoio da Concacaf (América do Norte, Central e Caribe) e da AFA (Ásia) na oposição. Além do repúdio à FFE, que veem como um plano de “privatização do futebol”, as federações também pedem pela saída de Infantino da presidência da FIFA.








