Renan será o Ciro da direita?
Candidato da Missão concorda com comparação e tenta avançar entre os eleitores mais velhos
O candidato da Missão à Presidência, Renan Santos, compartilhou uma postagem no X em que um perfil afirma que a direita quer repetir com ele “o que a esquerda fez” com o ex-ministro Ciro Gomes (PSDB).
Eis o que escreveu o perfil, identificado como Maria:
"Meio que percebi que a direita faz com Renan o que a esquerda fez com Ciro: querem que esses dois se curvem àqueles a qualquer custo. Se você eles não cederem, automaticamente se tornam linha de frente do oponente. Isso só reforça que são a mesma coisa em lados diferentes", diz a postagem.
Renan compartilhou a publicação e respondeu: “Exatamente.”
O novo Ciro?
A referência a Ciro Gomes ocorre em razão da alegada tentativa de Lula de impedir que o ex-ministro se consolidasse como uma alternativa eleitoral nas últimas eleições.
Ciro integrou o primeiro governo Lula, mas, com o passar dos anos, passou a fazer críticas cada vez mais duras ao PT.
Em debates e entrevistas, acusou Lula e o partido de adotar um modelo baseado em alianças com o Centrão e em práticas que resultaram em escândalos de corrupção.
O auge da tensão ocorreu nas eleições de 2018, quando Ciro criticou a decisão do PT de lançar Fernando Haddad para enfrentar Jair Bolsonaro (PL).
Havia expectativa de que Lula apoiasse o pedetista como alternativa competitiva.
Ciro terminou o primeiro turno em terceiro lugar, com 13.344.371 votos, o equivalente a 12,47% dos votos válidos.
No segundo turno, decidiu não apoiar formalmente nenhum dos candidatos no segundo turno. Na ocasião, viajou para a França, o que gerou críticas dentro da esquerda.
Em 2022, voltou a se opor a Lula durante a campanha, mas acabou declarando apoio ao petista no segundo turno, ainda que sem entusiasmo.
Renan e o bolsonarismo
Durante o debate da Band, no último domingo, 23, Renan chegou a dizer que havia um “jogo de cartas marcadas” entre Lula e o senador Flávio Bolsonaro (PL) para que ambos chegassem ao segundo turno.
Segundo o candidato da Missão, o bolsonarismo tenta impedir que ele se consolide como uma alternativa ao campo petista e, assim, monopolizar a chamada direita.
Lula e Flávio não foram ao debate.
Em protesto, Renan levou ao estúdio duas fraldas geriátricas, com os nomes de Lula e Flávio escritos nelas.
O mais citado
Renan foi o mais citado nas redes sociais após o debate.
Ele recebeu 88 mil menções nas primeiras doze horas após o debate, segundo a Datrix, empresa de monitoramento e análise de dados digitais.
Ronaldo Caiado ficou em segundo, com menos da metade que isso: 35 mil menções.
Augusto Cury veio em terceiro e último, com 25 mil menções.
"Renan tem chance de crescer. Ele está furando a bolha dos seus seguidores e se sobrepondo aos ex-governadores Ronaldo Caiado e Romeu Zema", afirma João Castro, CEO da Datrix.
"Mas a chance de ele chegar perto de Lula e Flávio Bolsonaro nas redes ainda é improvável."
A barreira
A última pesquisa Quaest mostrou Renan com 10% das intenções de voto entre eleitores de 16 a 32 anos.
A principal barreira para o candidato da Missão é avançar entre os eleitores mais velhos.
Ele tem 1% das intenções de voto tanto entre aqueles de 35 a 59 anos quanto entre os com 60 anos ou mais.
Sem tempo de TV e rádio, Renan terá o desafio de ampliar sua presença entre esse eleitorado e transformar o desempenho nas redes sociais em crescimento nas pesquisas.
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (0)