UN Watch quer revogar imunidade do ex-chefe de agência para palestinos
ONG acusa Philippe Lazzarini de permitir infiltração do Hamas na agência da ONU
A ONG UN Watch pediu ao secretário-geral da ONU, António Guterres, a revogação da imunidade do ex-chefe da UNRWA (Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina), Philippe Lazzarini, para que ele seja investigado por cumplicidade com terrorismo, crimes de guerra e crimes contra a humanidade ocorridos durante seu mandato, que encerrou em março de 2026.
Hillel Neuer, diretor da UN Watch, afirmou que Lazzarini e altos funcionários da UNRWA mantinham ligações com o grupo terrorista Hamas.
“Durante anos, alertamos repetidamente o Sr. Lazzarini de que o Hamas havia se infiltrado profundamente na UNRWA. Fornecemos provas detalhadas identificando professores, diretores de escolas, líderes sindicais e outros funcionários ligados ao Hamas. Documentamos repetidas reuniões entre altos funcionários da UNRWA — incluindo o próprio Sr. Lazzarini — e líderes do Hamas e de outras organizações terroristas. Mesmo assim, ele continuou a assegurar aos governos que os mecanismos de neutralidade da UNRWA eram eficazes, enquanto supervisionava uma agência cujo pessoal, instalações e recursos estavam sendo explorados por grupos terroristas.”
A UN Watch pediu a Guterres que suspenda a imunidade de Lazzarini e garanta a realização de uma investigação independente.
"Nenhum compromisso credível com a responsabilização pode permitir que o chefe de uma agência das Nações Unidas invoque imunidade enquanto alegações graves desta magnitude permaneçam fora do alcance dos investigadores criminais. Os interesses da justiça exigem que as autoridades competentes possam apurar os factos. Solicitamos, portanto, que Vossa Excelência renuncie sem demora a qualquer imunidade aplicável ao Sr. Lazzarini, anuncie publicamente essa decisão e assegure a plena cooperação das Nações Unidas em qualquer investigação criminal daí resultante", diz trecho da carta.
Quais são os laços entre a UNRWA e o Hamas?
O jornal americano Wall Street Journal publicou uma reportagem baseada em um relatório de inteligência israelense afirmando que cerca de 10% dos funcionários da Agência da ONU para os Refugiados Palestinos (UNRWA, na sigla em inglês) têm conexões com terroristas do Hamas ou da Jihad Islâmica.
Considerando que a UNRWA tem 12 mil funcionários na Faixa de Gaza, então pode-se concluir que 1.200 empregados da agência têm alguma relação com o terror.
Quando se consideram apenas os funcionários homens, a porcentagem de pessoas com alguma conexão com o terrorismo é ainda maior: 23%.
Essa porcentagem de 23% na UNRWA é maior do que a encontrada entre o total da população masculina na Faixa de Gaza, que é de 15%.
Em outras palavras, a agência da ONU concentra uma quantidade maior de pessoas com conexão ao terror do que no restante da população da Faixa de Gaza.
Quase metade de todos os funcionários da UNRWA, cerca de 49%, têm relação de parentesco próxima com algum membro do Hamas ou de outros grupos terroristas.
As informações foram obtidas a partir da análise de trocas de mensagens de celular, interrogatórios de terroristas capturados e documentos obtidos com terroristas mortos.
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