Derrota no Irã, vitória na Palestina
O presidente americano Donald Trump se meteu em um atoleiro após eliminar Ali Khamenei, mas está fazendo as coisas andarem na Cisjordânia e na Faixa de Gaza
Ao bombardear o Irã e eliminar o líder supremo Ali Khamenei, o presidente americano, Donald Trump (foto), se meteu em um atoleiro geopolítico impossível de sair.
Os americanos não apenas falharam em acabar com a teocracia, como os iranianos agora detêm o controle do Estreito de Ormuz, por onde passava 20% do petróleo do mundo.
Mas o fracasso retumbante dos americanos no Irã parece estar sendo compensado com os últimos desenvolvimentos na Palestina.
Na quinta, 9, o presidente da Autoridade Palestina (AP), Mahmoud Abbas, publicou um decreto agendando eleições legislativas para o final de novembro na Cisjordânia e na Faixa de Gaza.
Se a votação ocorrer, será a primeira em 20 anos.
Trump sempre esteve certo ao criticar a Autoridade Palestina, e agora finalmente aparece uma chance de corrigir essa entidade, criada pelos Acordos de Oslo de 1993.
A AP é uma organização corrupta e ineficiente, odiada pelos moradores tanto da Cisjordânia quanto da Faixa de Gaza.
Pior ainda, a AP deixou que o grupo terrorista Hamas participasse de eleições legislativas de 2006. O resultado foi uma vitória eleitoral do Hamas e um golpe sanguinolento na Faixa de Gaza no ano seguinte.
Ao eliminar o partido laico Fatah, de Abbas, o Hamas transformou Gaza em um reino de terror fundamentalista, censurando a imprensa, submetendo as mulheres e torturando e matando dissidentes.
Mesmo assim, Abbas seguidas vezes idolatrou os terroristas do Hamas em público.
Quando Ismail Haniyeh, líder desse grupo terrorista, foi eliminado no Irã em 2024, Abbas pediu em uma palestra na Turquia que as pessoas rezassem pela alma do mártir, atacou a "América" e afirmou que estava implementando a Sharia, a lei islâmica só adotada em países de islamismo radical.
Foi Abbas quem evitou eleições nos territórios controlados pela AP, porque não queria dar um fim ao seu reinado.
Se eleições legislativas limpas forem realizadas, a AP poderá finalmente renovar seus quadros e marcar uma eleição presidencial para o primeiro trimestre do ano que vem.
É importante notar que, em toda a sua história desde a sua criação na década de 1990, a Autoridade Palestina só realizou duas eleições presidenciais.
A primeira foi em 1996, vencida por Yasser Arafat, e a segunda em 2005, quando Abbas foi eleito.
Seu mandato deveria durar apenas quatro anos e terminar em 2009. Mas Abbas segue até hoje no cargo, governando por meio de decretos presidenciais.
As coisas, contudo, começam a mudar.
Esta semana, o Hamas anunciou que deixará o governo da Faixa de Gaza.
Quem assumirá a função será o Comitê Nacional para a Administração de Gaza, criado pelo Conselho de Paz estabelecido por Donald Trump.
O histórico conflitivo dos palestinos não abre espaço para muita esperança, mas pode ser que Trump, mesmo com seus arroubos personalistas, tenha iniciado um novo ciclo para a região, em que os palestinos não serão mais governados por autocratas corruptos, muito menos por um grupo terrorista.
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