Crusoé
26.06.2026 Fazer Login Assinar
Crusoé
Crusoé
Fazer Login
  • Acervo
  • Edição diária
Edição Semanal
Pesquisar
crusoe

X

  • Olá! Fazer login
Pesquisar
  • Acervo
  • Edição diária
  • Edição Semanal
  • Entrevistas
  • O Caminho do Dinheiro
  • Ilha de Cultura
  • Leitura de Jogo
  • Poder
  • Colunistas
  • Assine já
    • Princípios editoriais
    • Central de ajuda ao assinante
    • Política de privacidade
    • Termos de uso
    • Política de Cookies
    • Código de conduta
    • Política de compliance
    • Baixe o APP Crusoé
E siga a Crusoé nas redes
Facebook Twitter Instagram
Diários

Os gargalos do mundo

Como Bósforo, Dardanelos, Ormuz e o Canal de Suez voltaram ao centro da geopolítica global

avatar
Clarita Maia
6 minutos de leitura 26.06.2026 14:01 comentários 0
Os gargalos do mundo
Estreito de Ormuz em ilustração feita com IA
  • Whastapp
  • Facebook
  • Twitter
  • COMPARTILHAR

O acordo entre os EUA e o Irã para dar fim às hostilidades recentes trouxe ao debate público a reflexão sobre a importância decisiva do Estreito de Ormuz para a economia global.

Em um mundo fascinado por Inteligência Artificial e mísseis hipersônicos, faixas d’água com menos de quarenta quilômetros de largura continuam decidindo o destino de guerras, o preço do petróleo e o equilíbrio entre as grandes potências. 

O retorno da geopolítica clássica ao século XXI tem nos estreitos e canais internacionais um de seus casos mais emblemáticos.

Para o direito internacional do mar, um estreito utilizado para a navegação internacional é uma passagem natural que liga partes do alto-mar ou de zonas econômicas exclusivas. 

Direito do mar

A Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar (CNUDM), de 1982, estabelece nesses espaços o regime de passagem em trânsito, destinado a assegurar a liberdade contínua e rápida de navegação e sobrevoo. 

Embora esse regime imponha limites à atuação dos Estados costeiros, a manutenção de sua soberania sobre as águas territoriais e as competências regulatórias relacionadas à segurança da navegação, à proteção ambiental e à ordem pública conferem-lhes margens relevantes de intervenção. 

Em contextos de crise ou acirramento geopolítico, essas prerrogativas podem ser interpretadas de forma mais ampla, transformando os estreitos em espaços de tensão permanente entre a liberdade de navegação e os interesses estratégicos dos Estados ribeirinhos.

A CNUDM foi saudada como a Constituição dos Oceanos. Seu projeto era ambicioso: substituir a lei do mais forte pela norma jurídica multilateral. Quatro décadas depois, esse projeto enfrenta seu maior teste.

A guerra na Ucrânia recolocou os Estreitos de Bósforo e Dardanelos no centro da segurança europeia. 

A aplicação, pela Turquia, da Convenção de Montreux reacendeu o debate sobre o controle da circulação naval no Mar Negro, enquanto as negociações em torno do escoamento de grãos evidenciaram como o acesso a esses corredores pode influenciar diretamente a segurança alimentar global. 

As sucessivas crises no Golfo Pérsico transformaram Ormuz em permanente instrumento de dissuasão e barganha estratégica. 

Vulnerabilidade

A pandemia de Covid-19 revelou a vulnerabilidade das cadeias globais de suprimentos diante da dependência de poucos corredores marítimos, lógica reforçada, em março de 2021, quando o navio Ever Given encalhou no Canal de Suez e bloqueou a navegação durante seis dias.

Os estreitos do Bósforo e dos Dardanelos constituem a única ligação marítima entre o Mar Negro e o Mediterrâneo. 

A Turquia exerce posição sem paralelo na geopolítica euroasiática, regida por um tratado com noventa anos e nenhuma revisão formal: a Convenção de Montreux, de 1936, firmada antes da OTAN, antes da Ucrânia independente, antes dos drones e dos mísseis de longo alcance. 

Quando Ancara aplicou suas disposições para restringir o trânsito de navios de guerra após a invasão russa de 2022, o mundo percebeu que um documento redigido no período entreguerras determinava, em tempo real, os movimentos da marinha russa no conflito mais grave da Europa desde 1945. 

O debate deslocou-se da revisão para a interpretação, terreno igualmente perigoso. 

O projeto Kanal Istanbul, uma via artificial paralela ao Bósforo fora do escopo de Montreux, poderá gerar uma das maiores controvérsias do Direito Internacional Marítimo neste século.

A doutrina Mavi Vatan revela que a Turquia não está apenas administrando estreitos: está redesenhando sua identidade como potência naval.

Ausência de regime

Se os estreitos turcos enfrentam os desafios de um regime jurídico consolidado, mas envelhecido, Ormuz evidencia algo ainda mais perturbador: a ausência de qualquer regime específico. 

Localizado entre o Irã e a Península Arábica, aproximadamente vinte por cento do petróleo mundial e um quarto do comércio global de gás natural liquefeito transitam diariamente por um corredor com menos de quarenta quilômetros em seu ponto mais estreito. 

O Irã nunca ratificou a CNUDM e adota interpretações sistematicamente mais restritivas sobre navegação militar. Os Estados Unidos tampouco a ratificaram formalmente. 

O resultado é paradoxal: o corredor energético mais importante do planeta é regulado por um regime cuja legitimidade é contestada por seus principais protagonistas. 

Dissuasão assimétrica

As crises de 2019, 2020 e 2026 confirmaram a estratégia iraniana: mais do que controlar o estreito, Teerã transformou a ameaça de bloqueio em instrumento de dissuasão assimétrica. 

Propostas de governança multilateral circulam há décadas. O obstáculo é, naturalmente, político: nenhum dos atores tem incentivos suficientes para substituir uma ambiguidade que, a seu modo, serve a cada um deles.

O Tribunal Internacional do Direito do Mar nunca julgou nem os estreitos turcos, nem Ormuz. Os grandes precedentes sobre esses corredores estão na prática diplomática, nas guerras e nas crises sucessivas. Quando os interesses são existenciais, os Estados não levam suas disputas ao tribunal.

Bósforo, Dardanelos e Ormuz não são acidentes geográficos nem relíquias da geopolítica do século passado. São artérias vivas por onde circulam petróleo, grãos, poder naval e legitimidade internacional. 

A CNUDM ofereceu um arcabouço normativo, mas a história recente demonstrou os limites do Direito perante a razão de poder. 

O que está em disputa nesses corredores não é apenas o direito de passagem, mas a própria arquitetura da ordem internacional: quem a define, quem a contesta e quem, afinal, detém autoridade para dizer o que é legal quando os interesses dos poderosos estão em jogo. 

Os gargalos do mundo continuam onde sempre estiveram. A questão que o século XXI coloca é se as regras ainda importam ou se o que decide quem passa é, como sempre foi, a força de quem borda essas águas. 

Culpar apenas os Estados Unidos pelo enfraquecimento do multilateralismo é simplório. O nome do jogo é, hoje, o avanço do poder real. E todos os atores o estão fazendo.

Clarita Maia é consultora legislativa do Senado e doutora em Direito pela Universidade de São Paulo

Instagram:@claritamaia

As opiniões dos colunistas não necessariamente refletem as de Crusoé e O Antagonista

Diários

Israel e Líbano fecham acordo preliminar para retirada parcial das tropas israelenses

Redação Crusoé Visualizar

Flávio faz aceno às mulheres após atrito com Michelle

Redação Crusoé Visualizar

"Está cheio de nego maluco no mundo", diz Lula ao comentar investimento em defesa

Guilherme Resck Visualizar

A batalha de versículos entre Michelle e Fernanda Bolsonaro

Redação Crusoé Visualizar

O vídeo de Michelle Bolsonaro e o carisma que não se herda

Rodrigo Prando Visualizar

O grande tombo das criptomoedas

José Inácio Pilar Visualizar

Mais Lidas

A derrota triunfal de Trump

A derrota triunfal de Trump

Visualizar notícia
A fatura chegou para a Rússia

A fatura chegou para a Rússia

Visualizar notícia
A ressaca do IPO mais esperado do ano

A ressaca do IPO mais esperado do ano

Visualizar notícia
Alemanha desiste de seus maiores navios de guerra

Alemanha desiste de seus maiores navios de guerra

Visualizar notícia
Declínio e queda do identitarismo woke

Declínio e queda do identitarismo woke

Visualizar notícia
Dirceu dá pitaco em disputa entre Flávio e Michelle

Dirceu dá pitaco em disputa entre Flávio e Michelle

Visualizar notícia
"Estaremos lá para nossos novos e grandes amigos", diz Trump sobre Venezuela

"Estaremos lá para nossos novos e grandes amigos", diz Trump sobre Venezuela

Visualizar notícia
Irã propõe criação de 'Otan muçulmana'

Irã propõe criação de 'Otan muçulmana'

Visualizar notícia
Janja reclama da falta de atenção da imprensa

Janja reclama da falta de atenção da imprensa

Visualizar notícia
Lula desistiu dos Correios para devolução de celulares

Lula desistiu dos Correios para devolução de celulares

Visualizar notícia

Tags relacionadas

Estreito de Ormuz

república islâmica do Irã

< Notícia Anterior

A batalha de versículos entre Michelle e Fernanda Bolsonaro

26.06.2026 00:00 | 4 minutos de leitura
Visualizar
Próxima notícia >

"Está cheio de nego maluco no mundo", diz Lula ao comentar investimento em defesa

26.06.2026 00:00 | 4 minutos de leitura
Visualizar
author

Clarita Maia

Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.

Comentários (0)

Torne-se um assinante para comentar

Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.

Comentários (0)


Notícias relacionadas

Israel e Líbano fecham acordo preliminar para retirada parcial das tropas israelenses

Israel e Líbano fecham acordo preliminar para retirada parcial das tropas israelenses

Redação Crusoé
26.06.2026 15:50 2 minutos de leitura
Visualizar notícia
Flávio faz aceno às mulheres após atrito com Michelle

Flávio faz aceno às mulheres após atrito com Michelle

Redação Crusoé
26.06.2026 15:38 3 minutos de leitura
Visualizar notícia
"Está cheio de nego maluco no mundo", diz Lula ao comentar investimento em defesa

"Está cheio de nego maluco no mundo", diz Lula ao comentar investimento em defesa

Guilherme Resck
26.06.2026 14:38 4 minutos de leitura
Visualizar notícia
A batalha de versículos entre Michelle e Fernanda Bolsonaro

A batalha de versículos entre Michelle e Fernanda Bolsonaro

Redação Crusoé
26.06.2026 13:02 2 minutos de leitura
Visualizar notícia
Crusoé
o antagonista
Facebook Twitter Instagram

Acervo Edição diária Edição Semanal

Redação SP

Av Paulista, 777 4º andar cj 41
Bela Vista, São Paulo-SP
CEP: 01311-914

Acervo Edição diária

Edição Semanal

Facebook Twitter Instagram

Assine nossa newsletter

Inscreva-se e receba o conteúdo de Crusoé em primeira mão

Crusoé, 2026,
Todos os direitos reservados
Com inteligência e tecnologia:
Object1ve - Marketing Solution
Quem somos Princípios Editoriais Assine Política de privacidade Termos de uso