Rejeição a Milei bate recorde
Inflação e desemprego em alta e ajuste fiscal pesam na opinião sobre Javier Milei. Emprego vira o principal termômetro em 2026
Dados publicados nesta quinta-feira indicam queda contínua na aprovação do presidente argentino Javier Milei em meio à deterioração do mercado de trabalho. Um levantamento da AtlasIntel para a Bloomberg mostra que a aprovação caiu para 36,4%, com rejeição próxima de 62%, os piores níveis de apoio desde a posse.
Os dados mostram uma recuperação desigual, com os setores de energia e mineração prosperando enquanto os de construção e manufatura estão em recessão. A combinação de inflação ainda elevada tem pressionado a percepção pública, enquanto cortes de gastos e reformas seguem ocorrendo.
Na prática, o governo tenta sustentar a narrativa de estabilização, mas enfrenta uma desaceleração do consumo e aumento da informalidade. Esse ajuste fiscal tem impacto imediato sobre o emprego, sobretudo em setores dependentes de crédito e gasto público.
O desemprego subiu para 7,5% no fim de 2025, segundo dados consolidados do INDEC, o órgão argentino responsável por essas informações.
A queda de popularidade também se conecta à percepção de risco social, com protestos localizados e maior sensibilidade a medidas que afetam tarifas e subsídios, amplamente cortados em relação a gestões anteriores. Parte do eleitorado que apoiou Milei pela promessa de choque econômico demonstra desconforto com a duração e a intensidade do aperto.
Indicadores de curto prazo sugerem que a recuperação, se ocorrer, tende a ser desigual entre regiões e setores. Enquanto algumas atividades exportadoras mostram resiliência, o mercado interno segue fraco, com crédito restrito e renda comprimida, cenário que dificulta uma reversão rápida na opinião pública.
Nos próximos meses, a evolução do emprego deve ser o principal termômetro político, já que novos cortes ou atrasos na retomada do crescimento podem prolongar o desgaste e alterar a base de apoio no Congresso.
Há ainda incerteza sobre o efeito das negociações com credores e organismos internacionais, que podem influenciar o ritmo das políticas adotadas. A confiança de investidores oscila conforme dados fiscais e cambiais, o que mantém a volatilidade em alta e limita as decisões de longo prazo.
No plano político, aliados de Milei defendem continuidade do ajuste, enquanto opositores exploram o aumento do desemprego como um argumento contra o governo. Pesquisas recentes indicam maior fragmentação do eleitorado, com crescimento de indecisos e redução do apoio firme, movimento que abre espaço para disputas internas e reconfiguração partidária.
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