Lula relativiza invasão russa e culpa país invadido
Petista brada em defesa da "soberania", mas deseja que Zelensky entregue territórios ocupados por Moscou
O presidente Lula (PT) voltou a afirmar nesta quarta-feira, 4, que a Ucrânia é culpada pela continuidade da invasão russa.
No último mês, a guerra completou quatro anos.
Segundo o petista, o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, precisa ter "coragem" para reconhecer que "precisará ceder territórios".
"Por que vocês acham que a guerra entre a Rússia e a Ucrânia ainda não acabou? A situação está dada. O Putin sabe que ele vai ficar com o que ele já ocupou e o Zelensky sabe que ele não vai ficar com o que ele já perdeu. Acontece que é preciso ter coragem para assumir esse fato", disse Lula durante a 2ª Conferência Nacional do Trabalho.
A declaração foi feita no contexto de uma analogia entre patrões e empregados.
Lula e a guerra
Não é a primeira vez que Lula questiona a integridade territorial da Ucrânia, país invadido pela Rússia em fevereiro de 2022.
Anteriormente, o petista já afirmou que Zelensky “quis a guerra com a Rússia” e que parecia “fazer parte de um espetáculo”.
Durante a pré-campanha, em 2022, Lula disse que a Ucrânia deveria renunciar à soberania da península da Crimeia, ocupada pelos russos desde 2014.
"Putin não pode ficar com o terreno da Ucrânia. Talvez nem se discuta a Crimeia, mas o que ele invadiu [em 2022] vai ter que repensar. O Zelensky não pode querer também tudo o que ele pensa que vai querer. Tudo isso é assunto que tem que ser colocado na mesa”, disse o presidente brasileiro.
O petista também sugeriu que a guerra fosse resolvida "numa mesa tomando cerveja".
Item russo
Em visita a Moscou, Lula chegou a adotar a fita de São Jorge na lapela de seu terno para se encontrar com o ditador Vladimir Putin.
O item virou um símbolo da invasão russa à Ucrânia.
A fita, de listras pretas e laranja, foi usada por todos ditadores presentes nas comemorações do Dia da Vitória.
Neutralidade ou lado?
Crusoé apurou que a última conversa entre Lula e Zelensky ocorreu em setembro, durante a Assembleia-Geral das Nações Unidas, em Nova York.
Desde então, os dois líderes não voltaram a se falar, nem mesmo por telefone.
No ano passado, Zelensky decidiu não enviar um embaixador para a sede diplomática brasileira em Brasília.
As declarações de Lula reforçam que seu governo relativiza a agressão russa e culpa a vítima por ser invadida.
Não é coerente bradar em defesa da “soberania” nacional enquanto se minimiza a violação da integridade territorial de outro país.
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