Como a guerra no Irã pode impactar a Ucrânia
Fontes ucranianas avaliam que a crise no regime iraniano pode enfraquecer militarmente a Rússia, mas temem perda de atenção
A morte do ditador Ali Khamenei e as operações conduzidas pelos Estados Unidos e Israel contra o Irã foram recebidas em Kiev com uma mistura de otimismo e apreensão.
Fontes ucranianas no Brasil afirmam à Crusoé que o momento exige cautela, mas veem potencial para impacto direto sobre a guerra iniciada pela Rússia.
O Irã é um dos principais parceiros militares de Moscou, especialmente no fornecimento de drones do modelo Shahed, utilizados em ataques massivos contra a Ucrânia.
Além do Shahed, Teerã costumava enviar drones Mohajer-6, empregados em missões de ataque e reconhecimento.
Esses equipamentos custam entre US$ 20 mil a US$ 70 mil por unidade. Eles servem para destruir infraestrutura energética, sobrecarregar defesa aérea e preparar ataques com mísseis.
O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, afirmou no X que mais de 57 mil armamentos desse tipo já foram lançados pelo exército russo desde o início da guerra.
Apenas em fevereiro, a Rússia disparou 5.059 drones de longo alcance e 288 mísseis.
A ofensiva recente tinha como alvo prioritário a infraestrutura energética do país.
A leitura em Kiev é que a instabilidade em Teerã pode reduzir, ao menos no curto prazo, a capacidade ofensiva russa.
Hoje, contudo, a Rússia produz a maioria dos drones com tecnologia iraniana dentro do país.
Ainda assim, uma eventual mudança de regime no Irã poderia ampliar o isolamento político da Rússia no cenário internacional.
Mudança de foco
Por outro lado, governo ucraniano teme que a escalada no Oriente Médio desloque o foco das negociações conduzidas pelos Estados Unidos.
Segundo uma das fontes, um conflito prolongado no Irã poderia reduzir a pressão de Washington sobre Moscou.
A avaliação é de que ainda é cedo para conclusões.
Mas há uma certeza: o desfecho no Irã terá impacto direto sobre os rumos da guerra na Ucrânia.
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