Onde está o 'laranja' de Maduro?
Versões oficiais divergem sobre suposta prisão de Alex Saab
Os relatos sobre a prisão do colombiano e ex-ministro da Indústria Alex Saab, principal 'laranja' do ditador Nicolás Maduro, se contradizem.
A imprensa colombiana e venezuelana afirmam que o empresário foi preso na quarta, 4, durante uma operação foi conduzida por agentes do chavismo e americanos.
O procurador-geral do regime, Tarek William Saab, por sua vez, disse que a captura era "falsa".
Minutos depois, recuou afirmando que não tinha conhecimento de nada.
O presidente da Assembleia Nacional, Jorge Rodríguez, disse à imprensa que não tinha informações sobre o tema.
O FBI preferiu manter-se em silêncio.
Um advogado de Saab também negou que o empresário tenha sido preso.
Já o jornal americano The New York Times informou que agentes venezuelanos prenderam Saab para interrogatório.
Até o momento, porém, não houve divulgação de imagens nem confirmação oficial por parte das autoridades.
Prisão
Segundo a agência Reuters, Saab foi detido pelo serviço de inteligência venezuelano (Sebin) e que deveria ser extraditado aos Estados Unidos.
As autoridades americanas afirmam que Saab desviou cerca de US$ 350 milhões da Venezuela em um esquema que envolvia subornar funcionários do governo para obter documentos de importação falsos.
Em troca, ele garantia pagamentos em dólares a uma taxa de câmbio favorável.
Além dele, o empresário Raúl Gorrín, dono de uma emissora de televisão e investigado nos EUA, também teria sido preso.
Alex Saab
De origem libanesa, mas nascido na Colômbia, Saab atuou na área de construção civil e como participante dos Comitês Locais de Abastecimento e Produção (CLAP).
Para o regime chavista, assinou acordos com empresas mexicanas, turcas e colombianas.
Em 2018, Maduro o nomeou como "enviado especial da República da Venezuela", tornando-o um funcionário diplomático venezuelano.
Saab foi preso pela primeira vez em 2020, em Cabo Verde, enquanto abastecia seu avião no país.
Ele passou mais de três anos preso nos EUA por um esquema de suborno.
Em 2023, ele foi libertado após um acordo que envolveu a soltura de americanos presos na Venezuela.
Maduro queria salvá-lo?
Em janeiro, o secretário de Estado, Marco Rubio, afirmou que Maduro teve a oportunidade de uma saída negociada, mas condicionou qualquer acordo ao perdão dos sobrinhos de sua esposa, Cilia Flores, e a Saab.
Os "narco-sobrinhos", como são conhecidos, foram alvo de sanções impostas pelos Estados Unidos em 11 de dezembro.
"Ele queria perdoar seus sobrinhos, que foram condenados por tráfico de drogas, e perdoar e libertar Alex Saab, que era o homem das finanças do regime. Ele quebrou tantos acordos que nem o Vaticano quis negociar com ele. Ele não é confiável; ele só queria tempo, mais três anos para esperar por um governo favorável", afirmou.
Quando retornou à Venezuela, Maduro classificou Saab como um "herói nacional".
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