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Governo francês sobrevive a duas moções de censura na Assembleia Nacional

O primeiro-ministro francês Sébastien Lecornu e seu governo de centro-direita sobreviveram a duas moções de censura da oposição

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Redação Crusoé
4 minutos de leitura 16.10.2025 08:22 comentários 0
Governo francês sobrevive a duas moções de censura na Assembleia Nacional
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Poucos dias depois de ser reconduzido ao cargo de primeiro-ministro da França, Sébastien Lecornu, que havia apresentado sua demissão em 6 de outubro, sobreviveu a duas moções de censura no Parlamento, graças a um acordo temporário com os socialistas, que lhe deram uma "trégua" após ele suspender a impopular reforma da previdência de Macron e prometer não usar poderes constitucionais especiais para aprovar o orçamento sem votação parlamentar.

A primeira moção do Partido de Esquerda não conseguiu obter a maioria necessária na Assembleia Nacional. Apenas 271 dos 577 membros do parlamento retiraram sua confiança no gabinete; pelo menos 289 votos seriam necessários para uma votação bem-sucedida.

O governo também não foi derrubado na segunda votação de uma moção separada dos nacionalistas de direita. Ela foi apoiada por 144 membros do parlamento. 289 votos seriam necessários para que a moção fosse aprovada.

Lecornu anunciou na terça-feira, 14 de outubro, que suspenderia a controversa reforma da previdência do presidente Emmanuel Macron, garantindo assim o apoio dos socialistas com essa concessão à oposição.

Eles exigiram a suspensão da reforma e a impuseram como condição para tolerar o novo governo. Os conservadores também prometeram apoio a Lecornu antecipadamente.

Após o fracasso da segunda moção de censura, o governo e o parlamento podem iniciar as difíceis deliberações sobre um orçamento de austeridade, apresentado pelo primeiro-ministro na terça-feira.

O sindicato CGT já anunciou protestos para 6 de novembro por acreditar que o projeto de orçamento será prejudicial aos aposentados do país. Um novo debate no parlamento também está agendado sobre o futuro a longo prazo do sistema previdenciário.

Um novo começo bem-sucedido: Lecornu é visto como a última chance de Macron sobreviver ao seu segundo mandato, que vai até 2027, sem sofrer uma perda de reputação ainda mais profunda.

Ele tem sido alvo de críticas crescentes durante a crise recente. Partes da oposição pedem sua renúncia, e o descontentamento também se espalhou entre suas próprias fileiras.

Crise política

Sébastien Lecornu é o atual primeiro-ministro da França, tendo sido nomeado inicialmente em 9 de setembro de 2025 pelo presidente Emmanuel Macron, após a queda do governo anterior liderado por François Bayrou por meio de uma moção de censura no Parlamento.

A França vive uma crise política desde as eleições legislativas antecipadas de junho de 2024, convocadas por Macron, que resultaram em um Parlamento fragmentado sem maioria clara. Isso levou a instabilidade governamental, com dificuldades para aprovar orçamentos e reformas, e pressões de partidos de esquerda e direita extrema.

Lecornu, posicionado à direita do espectro político e próximo de Macron, foi escolhido para tentar estabilizar a situação, mas enfrentou resistências intensas.

Em 6 de outubro de 2025, Lecornu apresentou sua demissão a Macron após apenas 26 dias no cargo, alegando que sua "missão estava encerrada" devido à incapacidade de formar uma coalizão estável e aprovar medidas econômicas, como o orçamento de 2026, em meio a demandas conflitantes dos partidos (por exemplo, os socialistas queriam revogar a reforma da previdência de Macron e impor impostos sobre bilionários, enquanto a direita rejeitava essas ideias).

Macron aceitou a demissão, mas, em uma decisão surpreendente, reconduziu Lecornu ao cargo em 10 de outubro de 2025, após consultas com líderes partidários, argumentando que era necessário para evitar mais instabilidade.

Essa recondução foi criticada por opositores, que pediram a renúncia de Macron ou novas eleições, mas o presidente rejeitou essas demandas, acusando rivais de fomentarem o caos.

Lecornu ainda está no cargo porque Macron o reconduziu explicitamente, permitindo que Lecornu formasse um novo gabinete em 12 de outubro de 2025, com ministros chave para tentar negociar com o Parlamento.

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