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    Onde o plano de Trump para Gaza acerta

    Inclusão da Autoridade Palestina, aceitação de futuro Estado palestino e escolha do britânico Tony Blair são bons sinais

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    Duda Teixeira
    4 minutos de leitura 30.09.2025 10:42 comentários 0
    Netanyahu e Trump. Reprodução/redes sociais
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    O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump (foto), anunciou um plano de 20 pontos para tentar acabar com a guerra na Faixa de Gaza.

    A proposta já contou com o apoio do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu.

    O plano tem alguns aspectos louváveis, entre eles:

     

    Inclusão da Autoridade Palestina

    O governo de Netanyahu se recusava a dar qualquer papel para a Autoridade Palestina (AP) na reconstrução da Faixa de Gaza.

    Há vários motivos para rejeitar a AP. Seu presidente, Mahmoud Abbas, está no poder há duas décadas e se recusa a fazer eleições.

    A AP ainda é criticada pelos palestinos pela corrupção e pela ineficiência. Além do mais, é conivente com muitas ações do Hamas.

    Contudo, a AP é que deveria ser o governo legítimo na Cisjordânia e na Faixa de Gaza, segundo os Acordos de Oslo, de 1993. E a entidade conta com o apoio da maior parte dos países do mundo, incluindo os árabes.

    Ao inserir a AP em seu plano, contra a vontade de Netanyahu, Trump ganhou o aceite dos governos europeus e dos árabes.

    O plano de Trump afirma que o governo da Faixa de Gaza só seria entregue à AP após uma reforma, cujos contornos não foi definido.

    O presidente americano provavelmente quer que europeus e árabes pressionem para que uma reforma aconteça, finalmente, na AP.

    Apoio a um Estado Palestino

    Nos últimos dois pontos de seu plano, Trump afirma: "À medida que a reconstrução de Gaza avança e o programa de reforma da AP é fielmente executado, as condições podem finalmente estar reunidas para um caminho confiável rumo à autodeterminação e à criação de um Estado palestino, que reconhecemos como a aspiração do povo palestino. Os Estados Unidos estabelecerão um diálogo entre Israel e os palestinos para chegar a um acordo sobre um horizonte político para uma coexistência pacífica e próspera".

    Netanyahu é contra a criação de um Estado palestino, e tem postergado qualquer negociação nesse sentido, alegando que não há interlocutores confiáveis entre os palestinos.

    Membros da coalizão de Netanyahu negam qualquer Estado palestino, na esperança de ocupar Gaza e a Cisjordânia.

    Um dos pontos do plano de Trump recusa isso explicitamente: "Israel não vai ocupar ou anexar Gaza".

    Ao colocar o Estado palestino no horizonte, Trump obrigará Netanyahu a enfrentar os membros mais radicais de seu governo.

    Ao sinalizar para um Estado palestino, Trump ainda consegue o apoio de vários outros países.

    Entendimento que palestinos têm o direito de viver em Gaza

    O primeiro plano que Trump apresentou era criar uma Riviera na Palestinoa e deslocar os palestinos para outros lugares.

    Nenhum país árabe aceitou receber esse contingente populacional, pois isso poderia ser enquadrado como deslocamento forçado.

    O plano desta semana entende que os palestinos de viver nas suas terras.

    "Ninguém será forçado para sair de Gaza, e aqueles que desejarem sair estarão livres para fazer isso e poderão retornar. Nós vamos encorajar as pessoas para ficar e vamos oferecer a elas oportunidades para construir uma Gaza melhor", diz o tópico de número 12 do plano.

    Convite para Tony Blair

    O plano fala da criação de um Conselho de Paz, que seria dirigido por Trump, mas também teria a participação de ex-chefes de governo, como Tony Blair.

    Ex-primeiro-ministro britânico, Blair é do Partido Trabalhista, de esquerda, e tem livre trânsito com muitos que odeiam Trump e Netanyahu, o que pode ajudá-lo a conseguir compromissos de políticos de várias linhas em todo o mundo.

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