Maduro terá o mesmo destino de Bashar Assad?
Pressão de Donald Trump pode forçar o ditador venezuelano a fazer as malas para Moscou

O presidente americano Donald Trump enviou navios de guerra para o mar perto da Venezuela, com o alegado propósito de impedir o tráfico de drogas pelo Cartel de los Soles, do qual o ditador Nicolás Maduro faz parte.
Maduro reagiu, convocando 4,5 milhões de milicianos.
Mas uma invasão da Venezuela é improvável.
Trump não tem a menor vontade de enviar fuzileiros americanos para uma nova guerra.
O republicano fez campanha prometendo tirar seu país de conflitos inúteis e sabe que uma nova aventura bélica teria um custo elevado em sua popularidade.
O plano de Trump é outro: incitar os militares venezuelanos a tirar Maduro do poder.
O ditador venezuelano, assim, poderá acabar tendo o mesmo destino do ditador sírio Bashar Assad, que teve de fugir de seu país e hoje vive em Moscou.
Primeira tentativa
Trump já tentou tirar Maduro do poder em seu primeiro mandato na Casa Branca, que foi de 2017 a 2020.
Em 2019, com apoio americano, militares venezuelanos tentaram um golpe de Estado em Caracas.
Mas Maduro resistiu, com ajuda de oficiais e agentes de inteligência cubanos.
Em entrevista para Crusoé, o então assessor de Segurança Nacional John Bolton explicou a evolução dos fatos na Venezuela:
"Os militares mais jovens, de patentes mais baixas, apoiam majoritariamente a oposição. Apenas os generais mais graduados, que se beneficiam do tráfico de drogas e de outras fontes ilegais de renda, estão com o regime. O que a oposição estava fazendo em 2019 e que acho que deve continuar a fazer é tentar desarticular os comandantes em postos mais altos. Se isso acontecer, então o regime ficará muito vulnerável. O maior empecilho é a presença dos cubanos e dos russos na Venezuela. Há muita razão para acreditar que Maduro cairia em abril do ano passado se não fosse a intervenção dos cubanos. É um grande problema termos na América uma ditadura sustentada pelos cubanos e tendo os russos como apoio extra", disse Bolton.
No ano passado, quando Joe Biden ainda era presidente dos Estados Unidos, uma reportagem do jornal americano Wall Street Journal afirmou que os americanos teriam prometido deixar Maduro em paz, desde que ele fosse viver em algum outro canto do mundo.
Putin
O problema para Maduro é que ele não pode contar com apoio externo desta vez.
O ditador russo Vladimir Putin tem um desafio muito maior na Ucrânia, que resiste com suporte de europeus e americanos.
Nesse cenário, uma concessão qualquer de Trump na Ucrânia, em troca da destituição de Maduro, torna-se mais plausível.
As conversas diretas entre Trump e Putin nos últimos dias alimentam essa suspeita.
Mesmo que outros militares igualmente corruptos assumam o poder na Venezuela, a mera saída de Maduro — com possível asilo em Moscou — já seria um enorme trunfo para Trump.
Putin não fez quase nada para proteger Bashar Assad e, após sua queda, fez acordos com o governo transitório da Síria.
Com a Venezuela pode acontecer a mesma coisa.
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