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6 motivos para "Vale Tudo" não valer nada

Como o que era uma boa novela da TV Globo acabou virando o “filme institucional da ONG” 

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Newton Cannito
8 minutos de leitura 02.04.2025 13:22 comentários 5
6 motivos para "Vale Tudo" não valer nada
Vale tudo, da rede Globo. Reprodução/redes sociais
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A estreia da novela “Vale Tudo” foi boa, pois a autora decidiu começar muito fiel ao original.

Mesmo assim, acredito que esse remake será um fracasso.

Falo isso com tristeza, pois torço pelo sucesso.

A TV Globo é uma empresa importante e seria ótimo ter uma novela debatendo o Brasil. Mas não acredito que isso irá acontecer.

O principal erro foi a escolha da autora Manuela Dias.

Em telenovela, o autor é o principal responsável pelo sucesso de uma obra. A escolha da Globo não poderia ter sido pior.

“Vale Tudo” é uma novela que trabalha nos limites éticos da dramaturgia.

Nos dias de hoje, os autores de “Vale Tudo” seriam todos cancelados.

Já, Manuela é a autora mais politicamente correta e woke dos dias atuais.

Ela pode funcionar para obras caretas e didáticas para público segmentado. Mas não é autora certa para fazer “Vale tudo”.

 

Leia em O Antagonista: Vale Tudo decepciona Globo e estreia com audiência baixa

 

Dilema global

A Globo de hoje vive um dilema.

Seu público é cada vez mais conservador e a maioria de seus autores são radicais progressistas wokes e identitários.

Essa distância acaba se manifestando em obras lacradoras que afastam o público.

É como se a Globo estivesse usando as novelas para incutir no público conservador as ideias progressistas do Guilherme Boulos.

A partir de 2025, com a crise da ideologia woke nos EUA, essa turma começou a disfarçar a propaganda. Mas eles não enganam mais ninguém.

Em entrevista que a autora deu para a Folha de S. Paulo no fim do ano passado, quando já tinha um terço dos capítulos escritos, ela deixou claro que trabalha para irradiar a ideologia woke.

Sem dizer essa palavra, é claro, pois todo woke legítimo nega a existência da ideologia woke.

Para eles, o wokismo não é uma ideologia, é apenas a verdade absoluta, o bem encarnado.

Ficou claro ainda que ela, como toda ativista de esquerda, prioriza a propaganda ideológica em vez da boa dramaturgia.

Vamos então tomar a liberdade de adentrar no “lugar de fala” dessa autora para entender os caminhos que ela seguirá no “Vale Tudo Woke”.

Agora vou listar 6 motivos para o provável fracasso desse remake:

 

1) Viver na bolha

Manuela disse que Odete Roitman não vai mais falar tão mal do Brasil. Segundo ela: “Estamos saturados de falar mal do Brasil”.

“Falar que o Brasil é uma porcaria não traz nada hoje em dia”, afirmou.

Eu realmente não sei em que Brasil essa roteirista vive. Ou sei: é a bolha do Leblon.

Um autor deve ser uma antena social do povo. Mas quem vive nessa bolha há 30 anos tem grande dificuldade em entender a mudança de público.

Na Globo antiga , Roberto Marinho (pai) garantia a liberdade de seus autores, até mesmo para falar mal do regime militar.

Hoje a Globo é a TV oficial do sistema e, como funcionária exemplar dessa agência de publicidade governamental, Manoela Dias tem a intenção de minimizar as críticas ao Brasil.

Até daria um bordão bom: “O Brasil tá ótimo. O resto é fake news”.

E nem a vila pode falar mal dele!

2) Medo de ter vilão

Ainda falando de Odete Roitman, Manuela Dias afirma: “O autor também fala através de seus personagens”.

E, por fim: “Eu amo o Brasil, não sou Odete!”.

Ao que tudo indica  ela tem dificuldade de entender algo básico para roteiristas: o fato de que o vilão não costuma expressar o ponto de vista do autor.

A dificuldade de construir vilões fortes é uma característica de autores politicamente corretos que têm medo de ser cancelados.

3) Autora ativista

Manuela diz: “Eu também escrevo para mudar o mundo”.

“Vivemos um colapso climático.”

“O novo é encontrar maneiras de transformação.”

Ou seja, de repente “baixou” a comunista Manuela D'ávila na roteirista Manuela Dias.

Se a novela for um fiasco, Manu já pode ser a nova vice do Haddad. Ninguém vai nem perceber a diferença.

Essa postura ativista segue uma nova tendência na Globo: os autores que parecem — e muitas vezes são mesmo — donos de ONGs wokes.

4) Superioridade moral

“A geração da Fátima não lida bem com a desigualdade”. É o que diz a roteirista "desperta" (woke), quase iluminada.

Aqui, ela revela outra matriz de pensamento woke: a superioridade moral, o monopólio da virtude.

O que ela diz poderia ser traduzido como: “minha geração lida bem com a desigualdade, pois somos politicamente corretos e  temos compaixão pelos excluídos”.

Desde, é claro, que o excluído seja de esquerda. Pois se for de direita é fascista.

Essa sensação permanente de superioridade moral em relação aos coroas é outra característica dos wokes.

Afinal, os wokes são os despertos e os velhos são todos machistas, racistas, feios e chatos.

Sem contar que os coroas fascistas comem carne (e ela, eu posso apostar, é vegetariana), em vez de comer orgânicos para fugir do agronegócio.

Arrogância moral é o pior pecado que um roteirista pode cometer.

Pois assim ele deixa de ser artista, deixa de entender as pessoas  e se torna um pregador de sua ideologia.

5) Falta de noção

Viver na bolha e se sentir superior faz qualquer um perder a noção.

Isso fica claro quando a autora explica que, para fazer uma eco-lacração, botou consciência ecológica em Afonso, o rico que agora será eco-woke.

Segunda a autora, o personagem não vai mais andar tanto de jato particular e vai ser ligado à “governança ambiental”.

Ufa.

Finalmente alguém decidiu alertar o povo brasileiro para nós pararmos de andar tanto de jatinho particular.

Eu mesmo, só de ler a entrevista, tomei consciência na hora e decidi só usar meu jatinho aos sábados.

Ufa.

Agora vamos salvar o planeta.

O público vai adorar essa campanha de consciência ecológica: menos jatinhos gente! Menos jatinhos!

6) Lacração em vez de drama

Para Manu, a personagem de Heleninha bebia “pois era uma pinguça que bebia pois tinha vontade”.

Essa frase mostra que a autora não entendeu a personagem e nem a reação do público da novela original.

Como todo woke que tem preconceito com o passado, Manu parece acreditar que o público antigo era um bando de sádicos inconscientes, que riam da desgraça alheia por simples maldade.

A roteirista não entende como a personagem de Heleninha despertou a consciência real do problema do alcoolismo.

E, como ela quer ser autora bem politicamente correta, ajudar a “causa” e ganhar prêmios de ativista, ela vai tratar o alcoolismo de Helena Roitman de outra forma, evitando a possibilidade de “parecer cômico”

Essa é outra característica de autores politicamente corretos: eles não entenderam Nelson Rodrigues.

Não conseguem mais fazer cenas chocantes, pois não entendem como funciona uma tragédia e, em particular, uma tragicomédia, gênero de grande sucesso no Brasil.

O público, nesse gênero, alterna entre o riso e o desespero.

Podemos rir de Heleninha, mas logo em seguida a cena nos entristece e nos faz refletir.

Os wokes têm medo de misturas em geral e, em arte, evitam a mistura de gêneros.

Por isso, odeiam a tragicomédia e, como toda ideologia puritana, abordam os problemas sociais como drama social didático.

Resumindo, o que era uma boa novela, vira o “filme institucional da ONG”.

O que era uma cena forte que despertava emoções diversas e catalisava acirrados debates públicos, vira uma cena institucional lacradora dando lições que todos concordamos.

 

Branca de neve

Concluindo. Manuela foi escolhida pois ela vai fazer com “Vale Tudo” o que a Disney fez com “Branca de Neve”: uma releitura de um clássico para os valores wokes.

Vivemos um mundo do 1984 de George Orwell, em que o sistema quer reescrever o passado para se adequar aos valores que eles querem impor ao povo.

O problema dessa aposta é que é impossível ter um “Vale Tudo woke”.

Pois “Vale tudo” era livre e o wokismo, ao contrário, é um mundo cheio de regras.

Esse “Woke Tudo” dificilmente conquistará o público e, se não tomar cuidado, não vai valer nada.

 

Newton Cannito é autor roteirista. Para a Globo fez Cidade dos Homens e a novela Joia Rara.  Já ganhou o Emmy, APCA, Premio ABRA e Contigo. É presidente da Artistas Livres.

 

Assista ao Papo Antagonista com Newton Cannito:

 

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Newton Cannito

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Comentários (5)

Sandra

2025-04-03 20:50:24

Adorei a novela original, trás saudades até hoje, e mesmo sem ter conhecimento dessa entrevista não achava que seria igual, afinal duvido que hoje em dia alguém no Brasil escreva algo que mostre a realidade da política brasileira. A reprise da novela faria muito mais sucesso do que qualquer adaptação dessas.


MARCOS

2025-04-03 09:46:03

A MIM DESPERTA A PENA DESSES COMUNISTAS WOKISTAS. TADINHOS, SÃO TÃO ILUDIDOS PELOS CANALHAS COMUNISTAS QUE NÃO CONSEGUEM ACORDAR PARA A REALIDADE. A ELES EU SUGIRO: VÃO MORAR EM CUBA OU NO AFGANISTÃO, OU IRÃ, OU VENEZUELA. VÃO JÁ E NÃO VOLTEM.


Fachineli Comunicação Ltda.

2025-04-02 20:25:33

O "wokismo" não se sustenta em lugar nenhum!


Guilherme Rios Oliveira

2025-04-02 15:20:33

Parabéns pela análise!!!


JOAN

2025-04-02 14:24:55

Análise perfeita. Faltou pedi música no "fantártico"!


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Comentários (5)

Sandra

2025-04-03 20:50:24

Adorei a novela original, trás saudades até hoje, e mesmo sem ter conhecimento dessa entrevista não achava que seria igual, afinal duvido que hoje em dia alguém no Brasil escreva algo que mostre a realidade da política brasileira. A reprise da novela faria muito mais sucesso do que qualquer adaptação dessas.


MARCOS

2025-04-03 09:46:03

A MIM DESPERTA A PENA DESSES COMUNISTAS WOKISTAS. TADINHOS, SÃO TÃO ILUDIDOS PELOS CANALHAS COMUNISTAS QUE NÃO CONSEGUEM ACORDAR PARA A REALIDADE. A ELES EU SUGIRO: VÃO MORAR EM CUBA OU NO AFGANISTÃO, OU IRÃ, OU VENEZUELA. VÃO JÁ E NÃO VOLTEM.


Fachineli Comunicação Ltda.

2025-04-02 20:25:33

O "wokismo" não se sustenta em lugar nenhum!


Guilherme Rios Oliveira

2025-04-02 15:20:33

Parabéns pela análise!!!


JOAN

2025-04-02 14:24:55

Análise perfeita. Faltou pedi música no "fantártico"!



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