"Extremamente grave", diz TI Brasil sobre encontro "discreto" articulado por Wagner
Em abril de 2024, então líder do governo Lula no Senado articulou um encontro "discreto" entre Jorge Messias e Augusto Lima
A ONG anticorrupção Transparência Internacional – Brasil chamou de "extremamente grave" o fato de o senador Jaques Wagner (PT-BA) ter considerado seu gabinete no Senado como o lugar “mais protegido e discreto” para uma reunião entre o advogado-geral da União, Jorge Messias, e Augusto Lima - ex-sócio do Banco Master.
A informação de que o petista articulou a realização do encontro em seu gabinete consta em relatório da Polícia Federal (PF) no âmbito das investigações que ligam o nome do parlamentar ao Master.
"Referente ao conteúdo extraído do aparelho celular de AUGUSTO FERREIRA LIMA, verificaram-se tratativas relacionadas à marcação de encontros entre o Senador JAQUES WAGNER e AUGUSTO FERREIRA LIMA, a serem realizados no gabinete parlamentar. Conforme sugerem as mensagens analisadas, um desses encontros teria contado com a participação de Messias, possivelmente em referência a JORGE MESSIAS, Advogado-geral da União", diz o documento.
A peça mostra que, em 28 de abril de 2024, Lima enviou uma mensagem ao senador, informando que já se encontrava em Brasília. No dia seguinte, eles mantiveram contato por meio de chamadas de voz, com duração de 5min42s e 1min09s. Ao final da noite, após tentar ligar para Lima, Jaques Wagner envia uma mensagem de áudio a ele.
“Ô Guga..é.. eu falei com o Messias agora e o presidente infelizmente chamou ele amanhã um pouco por causa dessas confusões.. então ele pediu se poderia ser horário de almoço. Que eu continuo achando que o melhor lugar pra fazer seria no meu gabinete, que é o mais protegido e discreto pra todo mundo.. pra ele é natural tá lá, você já teve várias vezes lá com André..", disse o senador no áudio.
"Então não teria tanta atenção chamada. Até porque eu posso ir lá embaixo, chegar mais ou menos junto com você na hora que for marcada e subo e você não precisa nem passar pela identificação. Então eu quero ver se pra você dá, porque ele acabou de me avisar e aí eu confirmaria com ele… sei lá.. meio-dia..", prosseguiu.
"Eu tenho CCJ, mas eu espero que meio-dia já tenha terminado e eu posso fazer lá ou na própria liderança do governo, que é mais perto da comissão, é lá embaixo. É até mais fácil de chegar, entendeu? Veja aí e me mande um zap. Abraço”.
A TI-Brasil se manifestou sobre as informações por meio de publicações no X. "É extremamente grave que o ex-líder do governo Jaques Wagner usasse seu gabinete de senador como o lugar 'mais protegido e discreto' para organizar reunião entre o empresário e seu amigo Augusto Lima, sócio de Vorcaro e hoje investigado por corrupção, e o AGU Messias", escreveu.
Ainda de acordo com a ONG, "a sociedade brasileira jamais pode aceitar que o Senado Federal seja uma casa 'protegida e discreta' para encontros de empresários corruptos com autoridades públicas".
Vai provar inocência?
Jaques Wagner disse nesta sexta ter “certeza de que vai provar sua inocência” nas investigações.
O petista deu a declaração em entrevista à Rádio Baiana FM. Ele afirmou que está “tranquilo“ e que seu foco são as eleições de outubro.
“O inquérito evidentemente demora um tempo. Agora, estou de olho na eleição, temos dois meses para ela acontecer, e sábado vai ser a nossa convenção com a presença do Lula”, pontuou.
“A Polícia Federal que faça o seu trabalho, investigue, proponha ao Ministério Público, o Ministério Público avalie e o magistrado vai julgar. Como diz o presidente Lula, ‘Galego, só quem sabe o que você fez é você mesmo’ – eu sei o que eu fiz e estou tranquilo”, declarou também.
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