Uma plataforma de streaming brasileira investiu pesado para chegar à Copa do Mundo de 2026 com tecnologia própria e transmissões mais rápidas. A “Watch Brasil” investiu R$ 50 milhões em infraestrutura e colocou a redução do atraso nas transmissões ao vivo como a principal aposta para crescer durante o torneio.
O valor do investimento equivale a cerca de R$ 1 milhão por segundo de latência eliminada. A empresa reduziu o atraso das transmissões esportivas em até 60%. O tempo que chegava a quase um minuto em alguns cenários caiu para entre 8 e 10 segundos nas transmissões de baixa latência.
De provedor no interior do Paraná a plataforma de alcance nacional
A Watch Brasil foi criada em 2018 a partir da experiência do fundador, Maurício Almeida, como dono de um provedor regional de internet no interior do Paraná. Na época, o mercado crescia impulsionado pela expansão da fibra óptica, e Almeida identificou que a velocidade de conexão havia deixado de ser suficiente para fidelizar clientes.
A empresa passou a atuar como intermediária entre estúdios, programadores e pequenos provedores regionais. Hoje conta com mais de 2.600 parceiros e está presente em cerca de 4.500 municípios brasileiros.
A pandemia foi uma “virada de chave” para a empresa. Com o aumento do consumo doméstico de internet, os provedores ampliaram sua infraestrutura e passaram a buscar serviços adicionais para se diferenciar. O streaming entrou como uma das principais apostas.
Tecnologia própria e novos apps
Grande parte do investimento recente foi direcionada à criação de uma infraestrutura proprietária de software. A empresa encerrou contratos com fornecedores externos e internalizou o desenvolvimento da plataforma. A mudança foi o que permitiu a redução da latência.
Além disso, a Watch Brasil lançou uma suíte de aplicativos nativos para diferentes sistemas operacionais e televisores. Atualmente, metade da audiência consome conteúdo direto pela TV conectada.
Para a Copa do Mundo, a empresa aposta em uma plataforma que vai concentrar programação, tabelas e transmissões dos jogos em um só lugar. O projeto inclui ainda um agente de inteligência artificial para ajudar os usuários a localizar partidas e canais com mais facilidade.
Copa do Mundo como porta de entrada
A Watch Brasil faturou R$ 137 milhões em 2025 e espera crescer 46% em 2026, com a Copa do Mundo como principal catalisador. Segundo Almeida, os efeitos do torneio já eram sentidos antes mesmo do início dos jogos, com aumento nas ativações de pacotes esportivos nas últimas semanas.
Após o fim do evento, a empresa planeja reter os novos usuários com a transmissão de aproximadamente 80% dos principais campeonatos brasileiros e internacionais.
Em paralelo, a empresa avança em novas frentes. O Watch Free, plano gratuito baseado em publicidade, funciona como porta de entrada para novos assinantes, com o objetivo de converter parte dessa base para pacotes pagos. A Watch Brasil também abriu escritórios em Lisboa e Miami para oferecer sua tecnologia em modelo white label para provedores internacionais, com meta de que 5% do faturamento venha do exterior até 2027.



