Crianças gostarem de rabiscar coisas no papel ou até em outras superfícies pode parecer um comportamento simples e comum dos pequenos. Mas a ciência mostra que esse hábito pode ter influência sobre o desenvolvimento cerebral da criança. Pesquisas na área de desenvolvimento infantil apontam que a prática de desenhar fortalece a memória visual.
Especialistas em desenvolvimento infantil concordam que essa atividade estimula o cérebro, melhora a expressão emocional e favorece processos cognitivos fundamentais desde os primeiros anos de vida.
Por que desenhar muito melhora o desenvolvimento?
Além de exercitar a memória, o desenho transforma conceitos abstratos em imagens concretas. Isso torna o aprendizado mais profundo do que simplesmente ouvir ou ler sobre um assunto, pois a criança passa a associar imagens aos nomes que aprende.
Quando uma criança ilustra uma história, uma planta ou uma cena histórica, ela processa a informação de uma forma que o cérebro retém melhor. Esse mecanismo também aparece em pesquisas com adultos: estudos publicados na revista Memory & Cognition mostram que desenhar uma palavra ou conceito melhora a retenção de memória nas pessoas.
Segundo especialistas de Harvard ligados ao desenvolvimento infantil, as experiências criativas na infância auxiliam no desenvolvimento das funções executivas, entre elas a memória de trabalho, a atenção sustentada e o autocontrole.
Por que a memória visual é tão importante?
A memória visual é a capacidade de recordar imagens, detalhes, formas, cores e cenas com facilidade. Quando uma criança desenha algo que observou ou imaginou, ela precisa recuperar informações armazenadas na mente para representá-las no papel. Esse exercício ativa conexões neurais essenciais do cérebro.
A habilidade também traz melhorias que vão além do papel. Ela está diretamente ligada à facilidade de aprender a ler, a identificar padrões matemáticos e a memorizar conteúdos escolares. Crianças com boa memória visual conseguem absorver e organizar informações com maior eficiência.
Como incentivar a criança?
Especialistas dizem que não há uma “fórmula” para isso, pois incentivar a criança a desenhar é simples: folhas, lápis e tempo livre já são suficientes para estimular o hábito. O que é de fato importante é criar um ambiente onde a criança se sinta livre para explorar sem julgamento.
Deixar papel e lápis ao alcance, não corrigir como o desenho “deveria ficar” e perguntar o que ela desenhou, ouvindo a história por trás e mostrar interesse em gerão são atitudes que fazem a diferença. Valorizar o processo e não o resultado final é o princípio mais recomendado pelos especialistas em desenvolvimento infantil.
Além dos benefícios que desenhar traz à criança em geral, o hábito também é saudável por reduzir o tempo de tela dos pequenos. Trocar o celular por atividades manuais como o desenho também aparece com consistência nos estudos da área. Uma pesquisa francesa com mais de 7 mil crianças apontou que as que mais usavam o celular tinham mais problemas de memória.




