Durante sua expedição pelo Mar de Weddell, na Antártida, em 1915, o explorador britânico Ernest Shackleton e sua tripulação foram obrigados a interromper a missão após seu navio, Endurance, ficar preso por meses e, posteriormente, naufragar.
E apesar de a ação do gelo ter sido considerada a causa primária do naufrágio por décadas, um estudo publicado pelo pesquisador Jukka Tuhkuri revelou que, na realidade, o navio nunca teve condições para ser utilizado na viagem.
Conforme divulgado pela revista científica Polar Record, Tuhkuri esteve à bordo do Endurance22, que encontrou os restos do navio de Shackleton, e ao analisar as estruturas, ele identificou um grande problema.
O pesquisador percebeu que o Endurance original não tinha vigas resistentes o suficiente para resistir a investidas do gelo, e isso acabou resultando na destruição de partes como o leme, a popa e uma parcela da quilha do navio.
Para sustentar sua descoberta, Tuhkuri também conseguiu encontrar registros de tripulantes do navio afirmando que locais como a sala de máquinas do navio era a parte mais frágil da embarcação.
Líder da expedição teria escondido o risco de naufrágio
No livro South: A Memoir of the Endurance Voyage, Ernest Shackleton atribuía exclusivamente aos blocos de gelo a culpa pelo naufrágio. Contudo, evidências também indicam que ele tinha conhecimento dos riscos ocultos envolvidos.
Isso porque, em uma carta enviada à sua esposa, o explorador admitiu que o Endurance parecia ser menos resistente que o Nimrod, embarcação que utilizou em uma aventura na Antártida em 1908.
De acordo com o jornalista Michael Smith, Shackleton enfrentava, na época, problemas pessoais como dívidas e dificuldades no casamento. E estes fatores podem ter influenciado sua decisão de embarcar na expedição, mesmo diante dos riscos.
Apesar disso, Smith acredita que as revelações não devem afetar a reputação do explorador britânico, que continua sendo visto como um dos grandes heróis das explorações do século XX.




