Em maio deste ano, 35% dos apostadores na cidade de São Paulo afirmaram usar essas plataformas com o objetivo de conseguir renda fixa. O percentual era de 25% em 2024, segundo pesquisa da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (Fecomercio-SP).
Essa escolha acontece num momento de endividamento recorde das famílias brasileiras. Em abril, 80,6% da população tinha algum tipo de dívida em aberto, o maior índice já registrado pela entidade.
Quem mais aposta para complementar a renda
O uso das bets como fonte extra de renda é mais comum entre quem ganha menos, entre pessoas com renda de até dois salários mínimos, 40% disseram apostar com esse objetivo.
Entre quem recebe de cinco a dez salários mínimos, o índice cai para 29%.
A pesquisa da Fecomercio-SP ouviu 600 apostadores em jogos online e o levantamento também mostrou que o valor gasto mensalmente com as plataformas aumentou.
Em 2024, 76% dos apostadores em São Paulo gastavam até R$ 200 por mês com bets. Em 2025, esse número subiu para 82%.
O reflexo no comércio
Um estudo da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) mediu o impacto das apostas na economia brasileira: entre janeiro de 2023 e março de 2026, a inadimplência ligada às bets retirou R$ 143 bilhões do comércio varejista.
Segundo a entidade, o gasto mensal dos brasileiros com plataformas de apostas já supera R$ 30 bilhões.
A CNC estima que cerca de 270 mil famílias tenham caído em inadimplência severa, definida como atraso superior a 90 dias nas dívidas, em consequência do comprometimento da renda com as bets.
“As bets afetam principalmente as famílias mais vulneráveis, aumentando seu endividamento global, enquanto para os mais ricos funcionam como substituto de outras formas de endividamento, embora também gerem inadimplência”, descreve o CNC.
A reação do setor de apostas
O Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR), que representa as plataformas legais que operam no país, contestou os números.
A entidade enviou notificação formal à CNC pedindo transparência sobre a metodologia usada no levantamento.
Segundo o IBJR, os dados oficiais do mercado não confirmam o cenário descrito pela confederação. O instituto classificou as conclusões da CNC como alarmistas e desalinhadas das métricas oficiais do setor.



