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“Queria dizer a eles que estava ali”: escapou da escravidão e se escondeu por 7 anos em um sótão para ver seus filhos crescerem

A escrava acabou se tornando um ícone abolicionista e feminista

Por Júlio Nesi
19/04/2026
Em Geral
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A única foto formal conhecida de Harriet Jacobs.

Reprodução: Wikimedia Commons / Journal of the Civil War Era

A única foto formal conhecida de Harriet Jacobs. Reprodução: Wikimedia Commons / Journal of the Civil War Era

Harriet Jacobs nasceu em 1813 na Carolina do Norte, nos Estados Unidos, já como escrava. A vida que ela descreveu em suas memórias é uma das mais perturbadoras e também mais corajosas que a história americana registra. Para escapar de um senhor abusivo e continuar perto dos filhos, ela passou sete anos espremida em um compartimento minúsculo.

A norte-americana passou seus dias observando as crianças brincarem pela rua por um furo de pouco mais de um centímetro na parede. Ela se tornou uma das vozes mais importantes do movimento abolicionista e publicou, em 1861, uma autobiografia pioneira no relato dos abusos sofridos por mulheres escravizadas.

A história de Harriet é preservada por uma organização que mantém seu nome vivo até hoje no estado da Virginia, nos EUA.

Os primeiros anos de Harriet

Os anos iniciais de Harriet foram mais amenos. Ela e os pais pertenciam a uma senhora considerada benevolente, que a ensinou a costurar e a escrever, habilidades incomuns para pessoas escravizadas naquela época.

No entanto, tudo mudou quando essa senhora faleceu. Harriet passou a ser propriedade da sobrinha da falecida, mas como ela era menor de idade, o controle efetivo ficou com o pai dela, o Dr. James Norcom. Diferente da primeira senhora, Norcom era violento e abusivo. Quando Harriet tinha 15 anos, ele começou a assediá-la sexualmente, sussurrando obscenidades em seu ouvido.

“Quando completei 15 anos, meu senhor começou a me sussurar palavras obscenas ao ouvido. Apesar da minha pouca idade, eu entendia seu significado”, escreveu Harriet mais tarde em suas memórias.

O assédio era tão evidente que a esposa de Norcom percebeu. A resposta do senhor foi construir uma pequena cabana a quilômetros da casa principal, para onde pretendia isolar Harriet e continuar com os abusos.

Fuga e sete anos de escuridão

Em 1835, Norcom ameaçou enviar os filhos de Harriet, Joseph e Louisa para trabalhar como escravos em lavouras. Harriet havia tido os dois com Samuel Tredwell Sawyer, um advogado branco com quem se envolveu como forma de resistir ao poder de Norcom.

Em resposta às ameaças, ela fugiu e se escondeu inicialmente em um pântano. Depois, com ajuda do pai das crianças, construiu um compartimento secreto na casa de sua avó. O esconderijo não passava de dois metros de comprimento por um metro de altura. Era completamente escuro. Ratos escalavam seu corpo durante a noite. Ela não conseguia se levantar nem se movimentar.

Norcom publicou um anúncio oferecendo 100 dólares por informações sobre o paradeiro de Harriet, mas ela permaneceu ali por sete anos.

Com o tempo, ela fez um furo minúsculo na parede para poder ver os filhos brincando na rua. Sair era arriscado demais. Reservava poucas saídas, sempre de madrugada, para se higienizar e exercitar o corpo.

“Temporada após temporada, ano após ano, eu observava escondida os rostos dos meus filhos e ouvia suas vozes doces, com o coração desejando dizer: ‘Sua mãe está aqui'”, ela escreveu.

Liberdade enfim

Em 1842, Harriet conseguiu fugir para a Filadélfia e depois para Nova York, onde se reuniu com a filha. Mudou-se logo depois para Rochester para ficar perto do filho e começou a colaborar com o jornal North Star, de Frederick Douglass, figura central no movimento contra a escravidão.

Viveu durante anos com o medo constante de ser recapturada por Norcom. Só ficou legalmente livre quando uma amiga organizou a compra de sua liberdade.

Em 1861, publicou sua autobiografia sob o pseudônimo de Linda Brent. O livro foi pioneiro ao denunciar abertamente o assédio e o abuso sexual sistemático sofrido por mulheres escravizadas. Com o início da Guerra Civil, Harriet atuou como correspondente do jornal The Liberator e viajou a Washington para cobrir a situação dos refugiados negros que chegavam à capital.

Junto com a filha Louisa, fundou a Jacobs Free School em Alexandria, na Virginia, onde alfabetizou ex-escravos e forneceu ferramentas para que pudessem construir uma nova vida.

Harriet Jacobs morreu em 1897, em liberdade. Sua memória permanece preservada em museus, arquivos e em uma organização que leva seu nome.

Dúvidas, críticas ou sugestões? Fale com o nosso time editorial.
Tags: Dr. James Norcomescravidãoestados unidosEUAFrederick DouglassHarriet Jacobshistória americanaLinda Brentmovimento abolicionistamulheres escravizadaspessoas escravizadasSamuel Tredwell Sawyer
Júlio Nesi

Júlio Nesi

Jornalista alagoano formado pela UFAL, já atuei em produção de conteúdo digital para portais, rádio e redes sociais.

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