A colher de pau marca presença em quase todas as cozinhas brasileiras. Muitos cozinheiros a usam no dia a dia e associam o utensílio ao preparo de comida caseira. No entanto, especialistas em segurança alimentar alertam: esse item tradicional pode comprometer a saúde da família.
No entanto, a colher apresenta dois problemas principais por ser feita de madeira. Com o tempo de uso, surgem pequenas rachaduras, muitas invisíveis. Essas fendas retêm umidade e restos de alimentos. Por isso, o utensílio vira um ambiente perfeito para o crescimento de micro-organismos.
De acordo com especialistas, a limpeza comum com água e sabão não resolve. Os resíduos ficam presos nos poros e criam biofilmes bacterianos. Essas colônias resistem à higienização normal. Além disso, fungos também se alojam na estrutura. O resultado é o risco de contaminação cruzada durante o preparo das refeições.
Maria Cláudia da Silva, professora de Nutrição do Centro Universitário de Brasília, reforça o alerta. Segundo ela, a colher acumula bactérias do próprio alimento que manipulamos. A estrutura da madeira absorve umidade e sujidades. Com isso, impede a limpeza completa e favorece o desenvolvimento de microrganismos.
A norma RDC nº 216/2004, da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), exige que utensílios em contato com alimentos sejam lisos, impermeáveis e livres de rugosidades ou frestas. A madeira não cumpre esses requisitos. Por isso, o uso já é proibido em cozinhas profissionais de várias cidades, inclusive em São Paulo.
Recomendações dos especialistas
Profissionais da área indicam trocar por materiais inertes e de limpeza fácil como o silicone. Ele resiste ao calor, não risca panelas e não tem poros. Já o aço inox oferece durabilidade alta e permite esterilização completa. Ambos cumprem as normas de higiene e são acessíveis no dia a dia.
Especialistas apontam que apesar dos riscos, é possível manter a colher de pau por um tempo com cuidados rigorosos. Higienização imediata após o uso com água quente e sabão. Secar bem antes de guardar. Mergulhar a colher em solução clorada de vez em quando e descartar ao primeiro sinal de manchas, rachaduras ou desgaste.





