A humanidade formou diferentes costumes em meio às milhares de suas culturas, uma das mais tradicionais é os ovos de chocolate da Páscoa, tradicionalmente comidos na Semana Santa. Esse costume vem de muito antes do chocolate e mistura mitologia e religião em diversos séculos de história.
O costume vem antes do doce
Presentear pessoas com ovos é um costume antigo, comum entre os povos do Mediterrâneo, do Leste Europeu e do Oriente. Durante as festividades de chegada da primavera, ovos cozidos e pintados representavam a esperança de fertilidade e abundância nas colheitas.
Na primavera, lebres e ovos coloridos representavam a renovação em homenagem à Eostre, deusa da fertilidade dos povos anglo-saxões. Acredita-se, inclusive, que do nome dessa deusa surgiu a palavra “Easter”, que significa Páscoa em inglês.
Com a chegada do cristianismo, o símbolo foi reaproveitado. “Como Jesus que ressuscitou, o ovo simbolizava uma nova vida emergindo da casca”, descreve a Enciclopédia Britânica. Assim, o que antes era um rito de fertilidade virou símbolo de ressurreição.
O papel da igreja na tradição
A Igreja Católica também ajudou a consolidar o hábito, mas de um jeito diferente. Segundo a referência principal da pauta, durante a Semana Santa a Igreja proibia o consumo de ovos. Os que eram postos nesse período precisavam ser identificados e separados para depois do feriado, e por isso começaram a ser decorados.
A prática ganhou força na Idade Média, quando o costume de oferecer ovos no domingo de Páscoa se espalhou pela Europa. Registros históricos citam que, no século 12, o rei francês Luís VII recebeu ovos ao retornar da Segunda Cruzada.
Quando o chocolate entrou na história?
Os primeiros ovos de chocolate surgiram no século 18, quando confeiteiros da França resolveram esvaziar ovos de galinha e recheá-los com chocolate. O método se popularizou rapidamente pela Europa.
Segundo a referência principal da pauta, o primeiro ovo de cacau recheado com doces foi criado por John Cadbury, da marca britânica homônima, em 1875. A partir daí, empresas do mundo todo replicaram o formato e espalharam a tradição.
Por que a tradição continua até hoje?
O professor de filosofia e teologia da Universidade Católica de Brasília, Gidalti Guedes da Silva, explica que a sociedade foi se afastando da interpretação religiosa de muitos símbolos, mas manteve as celebrações.
“As festas cristãs são muito ligadas à comensalidade, giram em torno da comida e da reunião familiar. Isso fortalece a família e os grupos sociais, por isso continua se mantendo”, explicou.
Então, quando você troca um ovo de chocolate na Páscoa, está participando de uma tradição com milhares de anos de história. O doce mudou, mas o significado central permanece o mesmo: a celebração de uma vida nova.




