As ruas de Jericoacoara são de areia, as dunas mudam de forma com o vento e o pôr do sol afunda direto no mar. Esse “paraíso escondido” no litoral oeste do Ceará, a 300 km de Fortaleza, carrega uma história que poucos conhecem, e ela começa muito antes do turismo internacional descobrir o lugar.
Além de ser um destino paradisíaco, ele também é histórico: o nome do local já aparecia nas cartas geográficas do século XVII, quando era território dos índios Tremembé e palco de disputas entre colonizadores portugueses e franceses que ocupavam a área que se tornaria o estado do Maranhão hoje.
Segundo informações da história do local, os portugueses saíram vencedores e fundaram o Forte de Nossa Senhora do Rosário no local, que mais tarde daria origem à vila. O nome, aliás, vem do tupi: Jericoacoara significa “toca das tartarugas”, em referência às espécies marinhas que ainda desovam na região.
Por séculos, a enseada ficou isolada do resto do mundo, escondida pelas dunas que também dificultavam o acesso de exploradores a essas terras. Esse isolamento teria sido o responsável por ter preservado a beleza que hoje atrai visitantes de todos os continentes.
Quando Jericoacoara foi “descoberta”?
Até os anos 1980, Jericoacoara era uma vila de pescadores sem energia elétrica ou estrada. A fama internacional chegou pela imprensa americana: em 1984, o Washington Post elegeu a praia entre as dez mais bonitas do mundo. Mais recentemente, a revista Condé Nast Traveller também incluiu Jeri na lista das praias mais belas do planeta.
O crescimento que se seguiu foi gradual. A energia elétrica chegou em 1998 e, em 2017, a vila ganhou seu próprio aeroporto, tornando o acesso possível para turistas vindos de qualquer parte do Brasil e do exterior. Hoje, a vila recebe cerca de 700 mil visitantes por ano.
O que torna a vila diferente de outros destinos tropicais?
Carros particulares não circulam dentro de Jericoacoara, e as ruas permanecem cobertas de areia por determinação legal da administração estadual.
A regra existe para proteger o Parque Nacional de Jericoacoara, criado no ano de 2002 e com mais de 8.800 hectares sob gestão do ICMBio. Quem chega precisa deixar o carro em Jijoca de Jaricoacoara, cidade vizinha, e seguir os últimos quilômetros em veículos 4×4.
Além disso, os fortes ventos na região fazem do destino um dos favoritos pelos fãs de kitesurf. A Praia do Preá, a 11 km da vila, é uma das praias mais usadas pelos praticantes na região.





