O presidente Lula assinou uma Medida Provisória (MP) que destina R$ 30 bilhões em crédito para que taxistas e motoristas de aplicativo comprem veículos novos de até R$ 150 mil. No entanto, o programa batizado de “Move Brasil” pode impactar mais do que apenas os motoristas.
O financiamento pode chegar a 72 meses, com carência de 6 meses. As taxas de juros chegam a 12,6% para homens e 11,5% para mulheres. Para participar, motoristas de aplicativo precisam comprovar que estão cadastrados há pelo menos 12 meses e que realizaram pelo menos 100 corridas nesse período.
Quem pode ganhar?
O setor de autopeças figura entre os potenciais beneficiados. A JPMorgan, empresa de finanças e gestão, estima que o programa pode representar um impulso de cerca de 10% nas vendas de veículos leves em 2026, com base na projeção da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) de 2,6 milhões de unidades para o ano.
Entre as empresas mais expostas a esse crescimento, o banco destaca Mahle Metal Leve, com aproximadamente 20% da receita vinculada ao segmento de veículos leves, e Iochpe-Maxion, com cerca de 15%.
A Automob, segundo a XP, também pode se beneficiar do aumento no volume de vendas de veículos leves. A demanda deve se concentrar especialmente em modelos eletrificados, segmento que já responde por mais de 18% das vendas de automóveis leves no Brasil.
Quem sai perdendo?
As locadoras de veículos são as mais expostas ao lado negativo da medida. Segundo os analistas, com o crédito facilitado, motoristas de aplicativo que hoje alugam carros passam a ter maior incentivo para adquirir o próprio veículo.
O JPMorgan calcula que o segmento de motoristas por aplicativo representa entre 6% e 7% da frota da Localiza, por meio da operação Zarp. O banco avalia o impacto como “marginalmente negativo” no setor de locação.
Outro ponto de atenção está nas vendas de seminovos. Como o programa exclui veículos usados, a valorização desse segmento por parte das locadoras também fica comprometida. A XP reforça essa visão e aponta um impacto negativo limitado sobre a Localiza e a Movida.
O Itaú BBA também enxerga pressão sobre a Localiza, tanto no segmento de aluguel quanto nas vendas de seminovos. O banco mantém recomendação de compra para as ações da empresa, com preço-alvo de R$ 54, mas reconhece que o anúncio pode trazer volatilidade ao papel no curto prazo.




