Os fones de ouvido via Bluetooth, muito utilizados pela praticidade sem fio, voltaram ao debate após a divulgação de estudos que levantam possíveis impactos à saúde.
Pesquisas recentes apontaram uma associação entre o uso frequente desses dispositivos e o surgimento de nódulos na tireoide. Especialistas, no entanto, recomendam cautela na interpretação dos dados.
Associação estatística, não causal
Um estudo publicado na revista Scientific Reports identificou uma associação estatística entre o uso diário de fones Bluetooth e a presença de nódulos tireoidianos. A pesquisa analisou questionários de cerca de 600 participantes e utilizou modelos de inteligência artificial para cruzar informações.
Os resultados indicaram que fatores como idade e tempo de uso diário estavam relacionados ao maior risco observado. Ainda assim, os próprios autores destacaram que associação não significa causa e efeito, ou seja, o estudo não comprova que os fones provoquem os nódulos.
Tipo de radiação envolvida
Os dispositivos Bluetooth funcionam por meio de radiofrequência não ionizante, semelhante à emitida por celulares e redes Wi-Fi. Esse tipo de radiação é considerado de baixa energia e não tem capacidade de ionizar átomos ou causar danos ao DNA.
De acordo com a Organização Mundial da Saúde, não há evidências consistentes de efeitos adversos à saúde decorrentes dessa exposição quando os aparelhos operam dentro dos limites recomendados.
Recomendações atuais
Até o momento, não existem diretrizes que restrinjam o uso de fones Bluetooth por risco relacionado à radiação. As orientações médicas concentram-se principalmente na proteção auditiva, já que o uso prolongado em volumes elevados pode causar perda de audição.
Especialistas recomendam a chamada “regra do 60/60”: manter o volume em até 60% da capacidade máxima e limitar o uso contínuo a 60 minutos, com intervalos para descanso auditivo.
Embora o debate sobre possíveis impactos à tireoide ainda demande mais estudos e evidências, não há, por enquanto, indicação de mudança nos hábitos de uso com base em risco comprovado.




