Já pensou encontrar um artefato histórico de 2 mil anos em frente a sua casa? Foi exatamente isso que aconteceu com o casal Daniella Santoro e Aaron Lopez, cuja residência fica no bairro de Carrollton, em Nova Orleans, nos Estados Unidos.
Eles fizeram uma descoberta aparentemente comum, mas que depois veio a chamar a atenção de arqueólogos e autoridades internacionais: o que parecia apenas uma pedra decorativa em um jardim revelou-se uma peça histórica com quase dois mil anos de idade.
O casal encontrou o objeto parcialmente enterrado na área externa da casa. À primeira vista, a peça não despertou suspeitas, mas detalhes como inscrições em latim levantaram questionamentos sobre sua origem, principalmente por parte da Daniella, que é antropóloga.
Inscrição em latim revelou origem antiga
Ao observar o objeto com mais atenção, os moradores perceberam que não se tratava de uma simples pedra ornamental. A presença de inscrições em latim indicava que o item poderia ter relevância histórica.
Especialistas foram acionados e identificaram a peça como uma lápide romana, datada entre os séculos I e II d.C. A inscrição começava com a expressão “Dis Manibus”, comum em monumentos funerários da Roma Antiga e dedicada “aos espíritos dos mortos”.
A análise também revelou que a lápide homenageava um soldado romano de origem trácia, que teria morrido aos 42 anos após mais de duas décadas de serviço militar.
Peça já havia sido registrada na Itália
Investigações mais aprofundadas mostraram que o artefato já havia sido catalogado no início do século XX como parte do acervo do Museu Arqueológico Nacional de Civitavecchia, na Itália.
No entanto, durante a Segunda Guerra Mundial, bombardeios destruíram parte do museu, e diversos itens desapareceram, entre eles, a lápide agora encontrada no jardim americano.
Décadas depois, o objeto teria sido levado aos Estados Unidos por um soldado que serviu na Itália. Sem conhecimento de seu valor histórico, a peça acabou sendo utilizada como item decorativo em uma residência.
Em entrevista ao Preservation in Print, um ex-morador da casa, Erin Scott O’Brien, revelou que a pedra estava em uma vitrine com outras recordações familiares na casa de seu avô, Charles Paddock Jr., que morava em Gentilly. Ele havia servido na Itália durante a Segunda Guerra Mundial.
Anos depois do falecimento de Paddock e sua esposa nos anos 80, O’Brien recebeu a placa de pedra como um presente de sua mãe. Ele afirmou que não imaginava que o objeto era uma “relíquia de 2 mil anos”.
Repatriação do tesouro histórico
Com a confirmação da autenticidade e da procedência da peça, autoridades iniciaram o processo de devolução à Itália. O caso evidencia como objetos de grande valor histórico podem permanecer desconhecidos por décadas, até serem redescobertos em contextos inesperados.





