Algo que a ciência vem mostrando continuamente é que o nosso corpo fala. O organismo demonstra o que está ocorrendo com ele, sejam coisas boas ou ruins, de diferentes formas e dois desses sinalizadores estão nas palmas de nossas mãos, ou melhor, são justamente as palmas.
Acontece que as palmas das mãos podem ser uma janela silenciosa para o funcionamento do fígado. Antes de qualquer dor abdominal ou cansaço extremo aparecer, alterações visíveis nas mãos já podem indicar que algo não vai bem com esse órgão vital. Saber identificar esses sinais faz toda a diferença para buscar ajuda médica no momento certo.
Palmas vermelhas: um dos sinais mais conhecidos
A condição médica conhecida como “eritema palmar” se caracteriza por vermelhidão nas palmas das mãos, especialmente nas áreas sob o polegar e o dedo mínimo. A aparência é simétrica, ou seja, surge nas duas mãos ao mesmo tempo e geralmente não provoca dor nem coceira.
Essa vermelhidão ocorre por causa do excesso de estrogênio que o fígado comprometido deixa de metabolizar, o que provoca a dilatação dos vasos sanguíneos na superfície da pele. Em outras palavras, quando o fígado perde eficiência, hormônios se acumulam na corrente sanguínea e deixam marcas visíveis nas mãos.
Cerca de 23% das pessoas com cirrose hepática também apresentam eritema palmar. Ainda assim, vale lembrar que palmas vermelhas também podem surgir durante a gravidez, no hipertireoidismo e como efeito colateral de alguns medicamentos. Por isso, a avaliação médica é indispensável para identificar a causa.
Unhas e dedos também são indicadores
As unhas são outro ponto de atenção. Em casos de doença hepática avançada, elas podem se tornar predominantemente esbranquiçadas, com apenas uma faixa rosada visível na ponta. Essa mudança reflete alterações na circulação do leito ungueal e na produção de proteínas pelo fígado.
O clubbing, ou dedos em baqueta de tambor, ocorre quando as pontas dos dedos aumentam e as unhas se curvam para baixo. Essas mudanças costumam estar associadas a doenças hepáticas e a alterações nos níveis de oxigênio no sangue.
Nenhuma dessas alterações isoladas confirma um problema no fígado. No entanto, quando surgem juntas ou acompanhadas de outros sintomas, merecem investigação.
Outros sinais
Além da vermelhidão e das mudanças nas unhas, existem outras alterações nas mãos que podem indicar comprometimento hepático, como hematomas que aparecem com facilidade, mesmo após impactos leves, podem indicar que o fígado não está produzindo fatores de coagulação suficientes.
A pele ressecada e descamativa nas palmas também pode estar ligada à dificuldade do órgão em metabolizar vitaminas essenciais, como a vitamina A. Coceira persistente nessa região é outro sinal frequente, causado pelo acúmulo de substâncias que o fígado comprometido não consegue filtrar.
O inchaço nas mãos também pode ser um indicativo de problema hepático, já que quando o fígado não consegue produzir proteínas suficientes, o corpo passa a reter líquidos nos tecidos.
Quando procurar ajuda médica
A ausência desses sinais nas mãos não descarta uma doença no fígado. Muitas condições hepáticas são silenciosas por longos períodos. Por isso, qualquer alteração persistente nas palmas merece atenção, principalmente quando acompanhada de cansaço excessivo, inchaço na barriga, urina escura ou amarelamento da pele e dos olhos.
Nesses casos, exames de sangue e ultrassonografia são os primeiros passos para investigar o que está acontecendo. A avaliação de um hepatologista ou gastroenterologista é essencial para identificar a causa e iniciar o acompanhamento adequado o quanto antes.





