O consumo diário de café pode estar associado à redução do risco de demência, segundo estudo publicado no Journal of the American Medical Association (JAMA).
Pesquisadores norte-americanos acompanharam cerca de 132 mil pessoas por mais de quatro décadas e observaram que a ingestão moderada de cafeína esteve relacionada a uma redução de até 18% na probabilidade de desenvolver a doença.
Realizado desde a década de 1980, o estudo identificou que o consumo de duas a três xícaras de café por dia foi o padrão mais associado ao efeito protetor.
Participantes que mantiveram esse hábito apresentaram melhor desempenho em testes cognitivos ao longo do tempo, em comparação com aqueles que consumiam pouca ou nenhuma cafeína.
O papel da cafeína no cérebro
Os pesquisadores apontam que a cafeína, aliada a compostos bioativos presentes no café, como os polifenóis, pode contribuir para a proteção das células nervosas ao reduzir processos inflamatórios e o estresse oxidativo no cérebro.
Curiosamente, esses benefícios não foram observados entre os que consumiam café descafeinado, o que reforça a hipótese de que a cafeína seja um elemento central nesse efeito.
Ainda assim, os especialistas alertam que consumir mais café do que o indicado não traz ganhos adicionais comprovados. O equilíbrio continua sendo fundamental.
Limitações e outros fatores envolvidos
Por se tratar de um estudo observacional, os resultados indicam associação, mas não permitem afirmar uma relação direta de causa e efeito.
Aspectos como predisposição genética, alimentação equilibrada, prática de exercícios físicos e controle de doenças crônicas também exercem influência significativa na saúde cognitiva.
Por isso, o consumo moderado de café deve ser entendido como um possível aliado, e não como substituto de hábitos saudáveis.
Caminhos para novas pesquisas
As conclusões abrem espaço para novas investigações sobre o papel da cafeína na longevidade cognitiva. Cientistas buscam entender melhor como substâncias presentes no dia a dia podem integrar estratégias mais amplas de prevenção ao declínio mental.
Enquanto a ciência avança, o café deixa de ser visto apenas como um estimulante matinal e passa a ser estudado também como um potencial colaborador na manutenção de uma mente ativa ao longo dos anos.




