Relacionamentos são uma parte importante na vida de todas as pessoas. Desde a infância até a fase adulta, de românticos à amizade, nem todas as relações são positivas. A psicologia explica que relações humanas não são “trocas equivalentes”, às vezes não podemos nos disponibilizar aos nossos amigos, mas quando isso se torna algo estrutural, pode ser um problema.
Como adultos, sabemos que a amizade se trata de companheirismo, amigos estão lá uns pelos outros. Apesar disso, haverá momentos em que um precisa se doar mais que o outro, às vezes um vai atrás, em outros momentos o outro que marca programas. Nenhuma amizade fica sem esse “revezamento”.
No entanto, especialistas apontam que quando apenas um amigo se mostra ativo, vai atrás do outro e sai da zona de conforto enquanto o outro parece sempre “ocupado” e só aparece quando precisa de algo, há problema.
Problema na amizade
Psicólogos têm uma definição para esse tipo de relação: a amizade unilateral. A denominação define uma relação de amizade em que uma das pessoas não demonstra reciprocidade. Pessoas que se sentem frustradas com certas amizades, mesmo com terceiros como família e outros amigos dizendo gostar do amigo em questão, podem estar passando por algo assim.
A falta de reciprocidade não se trata de fatores óbvios como um amigo que simplesmente não busca o outro, mas também de falta de interesse.
Um exemplo seria uma pessoa estar passando por algum problema e um amigo ficar horas conversando com ela para melhorar o humor. Dias depois, o amigo que ouviu essa pessoa estar mal e querer desabafar com ela, essa pessoa pode até dar atenção, mas não está interessada, fala algumas palavras simpáticas “de praxe” e pronto.
Outro exemplo disso está nos limites. A psicologia destaca que impor limites é saudável tanto para o indivíduo quanto para relações. No entanto, algumas amizades passam a ser problemáticas quando esses limites se tornam assimétricos: os limites de uma parte da amizade são mais importantes que os da outra.
Um exemplo disso seria um amigo seu que pede espaço ou um “tempo sozinho” quando está estressado, sem querer conversar. Você respeita o pedido dele. No entanto, quando o contrário acontece e você precisa de um tempo sozinho para processar os problemas da vida, esse mesmo amigo leva para o lado pessoal.
O “contrato” de amizade e diferenças fundamentais
Claro que pessoas são diferentes e cada uma reage ao mundo externo de formas diferentes e ninguém é obrigado a ceder seu tempo a outra pessoa, não importa a relação. No caso, um amigo que tenha Transtorno do Espectro Autista (TEA) pode ter o genuíno desejo de dar atenção, mas não conseguir representar isso externamente.
Nesse caso, especialistas destacam o entendimento necessário para manter a amizade, que se trata de conhecer o outro e aceitá-lo como é. Um amigo que vá desabafar com uma pessoa que, não por má-fé ou desinteresse, não demonstra externamente preocupação deve entender (e escolher aceitar ou não) esse lado do amigo e vice-versa.
O que fazer nesses casos?
Diferente de relacionamentos românticos onde houve casamento, cujo divórcio pode gerar impactos financeiros e emocionais fortes para as duas partes e ainda outras (filhos, familiares), há terapias de casal, amizades não têm o mesmo peso (em geral).
Psicólogos e terapeutas destacam que, caso esteja passando por uma amizade unilateral, a comunicação é a primeira saída. Conversar com esse amigo sobre os padrões e dinâmicas da amizade que o têm incomodado pode alertá-lo sobre suas ações e permitir que a amizade se torne mais saudável.
Caso o amigo em questão não dê atenção ao que lhe causa frustração na relação, a alternativa mais viável é simplesmente diminuir ou cessar contato. Especialistas afirmam que a paz pessoal é insubstituível por uma relação com terceiros.
O que faz uma amizade ou uma pessoa “boa” com amizade?
Pesquisadores da Social Science Research vêm apontando que amizades recíprocas estão relacionadas a pessoas que sentiram maior pertencimento comunitário nas escolas em que estudaram. Essas pessoas mostraram não apenas um aproveitamento acadêmico maior como também melhor capacidade de simpatizar com colegas.
Um estudo realizado em 2015 também apontou que uma das principais características que tornam uma pessoa uma “boa amiga” é a chamada “responsividade”. Essa característica é a habilidade de uma pessoa em fazer as outras se sentirem acolhidas, ouvidas e vistas.
Os pesquisadores chegaram até a revelar que a responsividade une as principais características que as pessoas mais buscam em amigos próximos; são elas:
- Alguém confiável;
- Um ouvinte empático;
- Uma pessoa que ofereça suporte quando necessário.
Os psicólogos apontaram que essas não são características isoladas e são, sim, expressões de uma única qualidade: a responsividade.




