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Médicos brasileiros criam solução para jovens que não desgrudam do celular

O programa visa tratar dependência digital em crianças e adolescentes

Por Júlio Nesi
03/04/2026
Em Geral
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Reprodução: Unsplash / Annie Spratt

Reprodução: Unsplash / Annie Spratt

Um centro de saúde mental de São Paulo lançou um programa inédito no Brasil para tratar adolescentes e jovens adultos com dependência de celulares e telas. Desenvolvido pela Elibrè, o “Programa Elibrè para Dependências Digitais” tem duração de 90 dias e começa em abril de 2026, com foco em quem faz uso excessivo e prejudicial de tecnologia, especialmente jogos e redes sociais.

O programa foi criado após a equipe da Elibrè perceber um aumento no número de pessoas internadas por questões ligadas à tecnologia e, ao mesmo tempo, uma escassez de médicos especializados no tema.

Como o programa funciona

Antes de entrar no programa, cada participante passa por uma consulta de triagem para avaliar elegibilidade e necessidades específicas. Depois disso, o tratamento se divide em duas fases.

A primeira é uma imersão de três dias em um hotel boutique próximo à capital paulista, longe das telas e em contato com a natureza. Durante esse período, os participantes passam por psicoeducação, detox digital, jogos de tabuleiro, mindfulness e conversas mediadas por psicólogos e psiquiatras. No caso de menores de idade, os responsáveis acompanham todas as etapas, inclusive a imersão.

Depois dos três dias, começa a fase de acompanhamento, desenhada conforme as necessidades de cada um. Ela inclui psicoterapia individual e em grupo, tanto para o jovem quanto para a família. Quando há comorbidades como TDAH, depressão ou ansiedade, elas também são tratadas ao longo do processo.

O programa foi desenvolvido pelos psiquiatras Emilio Tazinaffo e Rodrigo Machado, pesquisadores do PRO-AMITI (HC FMUSP), referência latino-americana no estudo e tratamento de dependências comportamentais.

Quando o uso vira dependência

Usar o celular por muitas horas por dia não significa, necessariamente, ser dependente. Tazinaffo explica que a dependência começa quando a pessoa perde a capacidade de se autorregular, mesmo percebendo os prejuízos que o comportamento causa.

Para ilustrar, ele usa o exemplo de gamers profissionais: eles treinam até dez horas diárias, mas conseguem desligar o jogo quando o trabalho termina e seguir com a vida normalmente. Quem tem dependência não consegue fazer isso sem sofrer.

Com o tempo, a dependência passa a afetar diversas áreas da vida: as notas caem, os vínculos familiares enfraquecem e o isolamento aumenta. O psiquiatra Arthur Guerra, sócio da Elibrè, relata que crianças de 10, 12 e 14 anos já chegam ao consultório com esse perfil e que, em casos extremos, chegam a agredir os pais quando o celular é retirado. Mauricio Barbosa, sócio-fundador da clínica, acrescenta que não é raro encontrar adolescentes que usam fralda descartável para não precisar pausar o jogo.

Problema crescente no Brasil

O programa chega num momento em que os números do país acendem o alerta. Levantamento do Ministério da Saúde mostrou que, entre 2014 e 2024, os atendimentos a crianças de 10 a 14 anos com transtornos de ansiedade subiram quase 2.400%. Entre adolescentes de 15 a 19 anos, o aumento chegou a 3.300%.

Dados do TIC Kids Online Brasil apontam que 92% das crianças e adolescentes entre 9 e 17 anos já são usuários de internet no país, o que representa cerca de 24,5 milhões de pessoas. Após a primeira edição do programa, a Elibrè planeja expandir a iniciativa para escolas.

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Tags: adolescentesbrasilcelularciênciacriançasdependência digitalElibrépsicologiasão Paulosaúde mental
Júlio Nesi

Júlio Nesi

Jornalista alagoano formado pela UFAL, já atuei em produção de conteúdo digital para portais, rádio e redes sociais.

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