A República Democrática do Congo (RDC) confirmou nesta semana que o número de mortos pelo surto de Ebola no leste do país subiu para 101, com um total de 550 casos da doença. O governo alertou que a resposta à epidemia está sendo severamente prejudicada por grupos armados que operam na região.
O Ministério da Saúde da RDC relatou 35 novos casos e 10 novas mortes apenas nas últimas 24 horas. Esse surto, causado pela cepa Bundibugyo, foi declarado oficialmente em 15 de maio, mas autoridades admitem que o vírus circulou sem detecção por semanas, o que permitiu sua rápida disseminação.
De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a comunidade global corre para desenvolver vacinas para a rara cepa responsável pelo surto.
Ajuda humanitária barrada pelo conflito armado
A epidemia concentra-se em três províncias historicamente instáveis: Ituri, Kivu do Norte e Kivu do Sul. Em Ituri, o epicentro do surto, a presença de mais de 120 grupos rebeldes em territórios como Djugu, Irumu e Mambasa impede o acesso de equipes médicas a diversas zonas de saúde.
Além dos grupos barrar o acesso médico, a violência contra trabalhadores da saúde aumentou. No último final de semana, uma equipe de sepultamento foi atacada no cemitério de Nyamurongo, em Bunia, capital de Ituri, deixando dois feridos graves e veículos danificados.
A desconfiança das comunidades locais e a desinformação também têm dificultado o rastreamento de contatos, com a taxa de acompanhamento de contatos atingindo apenas 64,4%, muito abaixo da meta de 95%.
Expansão da doença
Além da RDC, o vírus também atinge regiões de Uganda. O país africano registrou 19 casos confirmados e duas mortes, a maioria em cidadãos congoleses que cruzaram a fronteira em busca de tratamento. Em resposta, Uganda fechou sua fronteira com a RDC, e os Emirados Árabes Unidos impuseram restrições de viagem provenientes da região.
O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom, visitou Uganda nesta semana e pediu a reconsideração do fechamento total das fronteiras, argumentando que tais medidas são ineficazes e prejudicam a resposta coordenada.
Vale reforçar também que a OMS e o Africa CDC lançaram um plano de resposta continental que solicita US$ 518 milhões para conter a propagação e apoiar os países afetados.
Com mais de 300 pacientes ainda em isolamento e a capacidade laboratorial sobrecarregada em Kivu do Norte, as autoridades alertam que a tendência do surto permanece ascendente.
Corrida pela vacina
Diferentemente da cepa Zaire, que causou epidemias devastadoras no passado e para a qual existem vacinas aprovadas, a cepa Bundibugyo não possui imunizantes ou tratamentos específicos licenciados. O tratamento atual limita-se a cuidados de suporte, como hidratação e manejo de sintomas.
No entanto, diante da situação de calamidade, a OMS e a Coalizão para Inovações em Preparação para Epidemias (CEPI) vêm acelerando a produção de vacinas experimentais para auxiliar no combate ao vírus.




