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Uma nova epidemia: OMS emite alerta por conta de avanço do ebola

Por Júlio Nesi
08/06/2026
Em Geral
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Imagens do vírus da Ebola.

Foto: Cynthia Goldsmith / Wikimedia Commons

Imagens do vírus da Ebola. Foto: Cynthia Goldsmith / Wikimedia Commons

A Organização Mundial da Saúde (OMS) elevou, nesta semana, o nível de alerta para Emergência de Saúde Pública de Importância Internacional (ESPII) diante da escalada do surto da cepa Bundibugyo, da Ebola, na República Democrática do Congo (RDC) e em Uganda.

Com 515 casos confirmados e 91 mortes apenas na RDC até 6 de junho, e a ausência total de vacinas ou tratamentos específicos para esta variante, autoridades sanitárias temem uma repetição da epidemia de 2014, um episódio considerado “catastrófico” que ceifou mais de 11 mil vidas na África Ocidental.

Corrida pelos imunizantes

Diferentemente dos surtos causados pela cepa Zaire, para a qual existem vacinas aprovadas e terapias com anticorpos monoclonais, a variante Bundibugyo deixa os sistemas de saúde vulneráveis.

“Não há vacina para o vírus Bundibugyo e o tratamento consiste apenas em cuidados de suporte”, confirmou o Centers for Disease Control and Prevention (CDC) dos EUA. A limitação é agravada pela incapacidade dos testes rápidos GeneXpert, amplamente utilizados na região, de detectar esta cepa específica.

Esse problema acaba obrigando o envio de amostras a laboratórios de referência e atrasando o isolamento de pacientes, o que dá mais tempo para o vírus se espalhar pela região.

O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom, enfatizou que a contenção depende estritamente de medidas clássicas de saúde pública.

“Conter o ebola depende de compromisso político, financiamento contínuo e da confiança e participação das comunidades. Sem sua participação, o rastreamento de contatos falha e a transmissão continua”, declarou Tedros durante o lançamento do plano de resposta continental.

Plano colaborativo de US$ 518 milhões

Em uma mobilização para conter a disseminação do vírus, a OMS e o Africa CDC anunciaram um plano conjunto de resposta com duração de junho a novembro de 2026, visando arrecadar US$ 518 milhões. O recurso será destinado a fortalecer a vigilância, testagem laboratorial, prevenção de infecções e logística em países afetados e nações de alto risco, incluindo Sudão do Sul, Ruanda, Quênia e Tanzânia.

Os Estados Unidos já comprometeram mais de US$ 200 milhões, financiando clínicas de resposta, triagem em aeroportos e equipamentos de proteção individual (EPI). A União Europeia (UE) destinou € 15 milhões adicionais, enquanto o Canadá aportou CAD 8 milhões para apoiar a Cruz Vermelha e a OMS no rastreamento de contatos.

Projeções dos cenários

O surto, declarado oficialmente em 15 de maio na província de Ituri (RDC), expandiu-se rapidamente para as províncias de Kivu do Norte e Kivu do Sul, além de cruzar fronteiras para Uganda, onde 19 casos e 2 mortes foram confirmados até 5 de junho. A dispersão geográfica indica que o vírus circulou por semanas antes da detecção.

Modelagens do CDC projetam um cenário de mais de 20.000 casos e 4.000 mortes em três meses se a taxa de reprodução efetiva não for reduzida imediatamente. A taxa de letalidade observada atualmente gira em torno de 17%, inferior aos 30-40% históricos da variante.

Diante da urgência, o diretor do Africa CDC, Jean Kaseya, afirmou que uma vacina específica para a cepa Bundibugyo estará disponível até o final de 2026.

“Podemos afirmar com certeza que, até o fim de 2026, o Africa CDC garantirá que tenhamos uma vacina e um medicamento contra a Bundibugyo”, declarou Kaseya, citando “candidatas promissoras” em desenvolvimento.

Enquanto isso, as medidas de controle dependem exclusivamente de barreiras físicas. O CDC dos EUA emitiu avisos de viagem de nível 3 para a RDC e nível 2 para Uganda, com triagem reforçada em aeroportos internacionais. Viajantes que deixaram áreas afetadas devem monitorar sintomas por 21 dias, período máximo de incubação do vírus.

Atualmente, o cenário é que o surto de ebola é considerado uma epidemia “extremamente grave”, como explica o vídeo abaixo:

Dúvidas, críticas ou sugestões? Fale com o nosso time editorial.
Tags: áfricaAfrica CDCBundibugyoCDCebolaepidemiaJean KaseyaomsRDCRepública Democrática do CongoTedros AdhanomUgandaZaire
Júlio Nesi

Júlio Nesi

Jornalista alagoano formado pela UFAL, já atuei em produção de conteúdo digital para portais, rádio e redes sociais.

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