O Banco Central reduziu a taxa Selic de 14,75% para 14,50% ao ano, em decisão anunciada pelo Comitê de Política Monetária (Copom) nesta quarta-feira, 29 de abril. Foi o segundo corte seguido da taxa básica de juros, mas o comunicado manteve tom cauteloso diante da instabilidade no cenário internacional.
A decisão foi unânime. O corte de 0,25 ponto percentual seguiu a expectativa do mercado e deu continuidade ao ciclo iniciado em março, quando a Selic havia caído de 15% para 14,75% ao ano.
Por que a Selic caiu
O Banco Central informou que o cenário doméstico mostra sinais de moderação, mas ainda exige cuidado. A autoridade monetária acompanha a trajetória da inflação, as expectativas do mercado e o ritmo da atividade econômica antes de avançar em novos cortes.
Mesmo com a redução, a taxa segue em patamar alto. Segundo a Agência Brasil, a Selic ficou em 15% ao ano de junho de 2025 a março de 2026, o maior nível em quase 20 anos.
Instabilidade externa pesa na decisão
O comunicado do Copom cita um ambiente externo mais incerto. A guerra no Oriente Médio e seus efeitos sobre commodities, combustíveis e cadeias globais de suprimento aumentam a cautela do Banco Central.
Por isso, o corte veio sem promessa de ritmo para as próximas reuniões. O Copom indicou que seguirá avaliando os dados disponíveis e os impactos do cenário internacional sobre a inflação no Brasil.
Inflação ainda preocupa
As projeções do Banco Central continuam acima do centro da meta. No comunicado, o Copom informou estimativa de IPCA de 4,6% em 2026 e 3,5% em 2027 no cenário de referência.
A meta de inflação perseguida pelo Banco Central é de 3%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Assim, a autoridade monetária ainda vê espaço limitado para acelerar a queda dos juros.
O que muda para o consumidor
A Selic influencia o custo do crédito no país. Quando ela cai, empréstimos, financiamentos e juros do cartão podem ficar mais baratos ao longo do tempo, embora esse repasse não ocorra de forma imediata.
Ao mesmo tempo, juros menores também reduzem a rentabilidade de investimentos conservadores atrelados à taxa básica, como parte dos títulos públicos e aplicações pós-fixadas.
Próximos passos
O Banco Central deixou claro que novos cortes dependem da inflação, das expectativas e do comportamento do cenário externo. Portanto, a queda da Selic começou, mas ainda deve avançar de forma gradual.
A próxima decisão do Copom será acompanhada de perto pelo mercado, principalmente por causa da dúvida sobre a duração da instabilidade internacional e seus efeitos nos preços.




